Demanda interna deve guiar produção de etanol no Brasil

A demanda internacional por etanol doBrasil deve crescer, mas o mercado interno será o principalmotor da produção no maior exportador mundial dobiocombustível, disse um importante analista na segunda-feira. Impulsionada pelas crescentes vendas de carros flex-fuel, ademanda por etanol foi recorde no país em 2007 e deve crescernovamente em 2008, com a indústria automobilística repetindo odesempenho, disse o presidente da Datagro, Plínio Nastari. "Para os próximos sete anos, o mercado mais importante seráo doméstico. Exportações de etanol crescerão, mas de maneiramodesta", disse Nastari em São Paulo, durante o Summit Globalda Reuters de Agricultura e Biocombustíveis. Depois de permanecer estagnado por duas décadas, o consumode etanol no Brasil cresceu 3,7 bilhões de litros para umvolume recorde de 16,7 bilhões de litros em 2007. Neste ano,deve ter um aumento da ordem de 2,9 bilhões de litros, seguindoum aumento nas vendas de carros, disse o consultor. O crescimento mais rápido da economia e a queda das taxasde juros no Brasil estimularam as vendas de veículos a crescer28 por cento em 2007. O setor prevê crescimento de 18 por centoneste ano. As vendas de veículos flex respondem por 86 porcento do total no país. Os preços competitivos do etanol em 2007 nos postos tambéminfluenciaram nas vendas de veículos, disse Nastari. Mas a demanda mundial tem tido pouca importância nasexpectativas da maior parte dos produtores e tradersbrasileiros em 2007. Uma alta acentuada da produção dos EUA,barreiras comerciais e alguma hesitação por parte dos governosem introduzir índices obrigatórios para a mistura do etanol àgasolina têm frustrado as previsões otimistas. Depois de aumentarem em 2006, as exportações brasileiras deetanol caíram em 2007 para 3,8 bilhões de litros e devem cairnovamente neste ano, para 3,4 bilhões de litros, segundoNastari. MUDANÇA ESTRUTURAL Nastari afirmou que a expansão do mercado local de etanolestá causando uma "virada estrutural" na centenária indústriaaçucareira do Brasil, com as usinas priorizando mais a produçãodo combustível em relação ao açúcar. A Datagro prevê que a demanda de etanol no país chegará a32 bilhões de litros em 2014, quando o etanol responderá por 53por cento do combustível utilizado por veículos leves, devidoao aumento da frota flex-fuel. As exportações, porém, não devem ultrapassar 7 bilhões delitros até lá. Naquele ano, as usinas estarão transformando cerca de 62por cento da produção de cana do país em etanol, contra umadestinação de 55 por cento na safra 2007/08 do Centro-Sul. A lei de energia dos EUA, que foi assinada em dezembro,pode, no entanto, sinalizar uma oportunidade para o combustívelbrasileiro até 2015. Mas isso não necessariamente ocorrerá,segundo o analista. A lei sinaliza um teto para a produção de etanol à base demilho e estipula metas ambiciosas para o uso de outros tipos dematérias-primas para o etanol, como celulose, até 2015. Essas metas, no entanto, podem ser facilmente mudadas nofuturo para proteger a indústria dos EUA, segundo Nastari. "O mercado mais promissor para o etanol são os EstadosUnidos... (Mas) eu acredito que eles permanecerão com suatarifa de importação (de 54 centavos de dólar por galão) ecriarão uma cota, e administrarão essa cota de acordo comcritérios geopolíticos", disse ele. Apesar da tarifa, eventuais exportações diretas podemacontecer dependendo dos preços no Brasil e nos EUA. Com o crescimento da demanda por etanol no mercadonorte-americano no ano passado, os estoques do combustíveldiminuíram e os preços atingiram um nível em dezembro último(de 2,45 dólares por galão) que tornou temporariamente possívela exportação direta do Brasil, disse ele.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.