Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Depois de prejuízo de R$ 4,4 bi, Oi prioriza redução de custos e geração de caixa

Resultado do último trimestre do ano passado foi influenciado pela venda da Portugal Telecom; apesar de ainda não ter recebido o pagamento de € 7,4 bilhões, operadora já registrou despesas e perdas contábeis de R$ 4,2 bilhões decorrentes da operação

Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2015 | 21h41

Com impacto nas suas contas geradas pela venda da Portugal Telecom (PT), a operadora de telefonia Oi amargou um prejuízo de R$ 4,421 bilhões no quarto trimestre do ano passado, revertendo lucro de R$ 1,183 bilhão contabilizado no mesmo período de 2013. A operação com ativos portugueses levou a tele a registrar perdas contábeis de R$ 4,164 bilhões, sendo que parte deverá ser revertida no futuro.

A empresa vendeu a PT por € 7,4 bilhões para a francesa Altice e, apesar de não ter recebido o pagamento ainda, registrou em seu balanço despesas e perdas da transação. Entre elas, há, por exemplo, R$ 1,6 bilhão referente a uma parcela que a Altice só pagará para a Oi caso a operadora portuguesa cumprir metas de performance de receitas nos próximos anos. Se isso ocorrer, o dinheiro voltará para a Oi em 2019.

Em termos operacionais, excluindo resultado financeiro e tributos, a companhia teve lucro de R$ 2 bilhões, um recuo de 17% sobre o quarto trimestre de 2013, mas aumento de cerca de 81% sobre o período de julho a setembro do ano passado.

Em um esforço para melhorar seus resultados em 2015, o foco da empresa será na redução de custos, otimização dos investimentos e geração de caixa. Neste ano, são esperadas evoluções do processo de consolidação do setor.

Desde o ano passado, a tele vem se estruturando para transformar o negócio e poder participar da consolidação do setor. O presidente da Oi, Bayard Gontijo, disse nesta sexta-feira que o “ponto de inflexão” nos resultados operacionais se deu no terceiro trimestre. Além disso, os resultados dos cortes de custos são esperados para aparecer já nos três primeiros meses deste ano.

“Há um esforço para transformar o negócio”, disse o executivo em teleconferência com analistas. A venda da PT faz parte dessa estratégia. Os recursos entrarão na companhia até o fim do segundo trimestre deste ano e serão mantidos em caixa para que a operadora possa decidir sobre o melhor uso do dinheiro.

Paralelamente, a empresa criou uma diretoria de transformação, focada no cumprimento do plano de 2015. Entre os focos de atuação, está a melhoria do capital de giro, com, por exemplo, revisão de contratos com fornecedores.

Consolidação. Com mais fôlego, a empresa ganha poder para participar da consolidação, ou destinar o recurso para reduzir o seu endividamento - únicos destinos cogitados internamente para o dinheiro advindo da venda da PT. A dívida líquida ficou em R$ 30,6 bilhões em dezembro de 2014, ante R$ 31,3 bilhões no mesmo mês do ano anterior.

Bayard voltou a afirmar que a consolidação é positiva para todas as operadoras no País e se trata de uma das prioridades da empresa, mas não deu detalhes sobre as movimentações para que isso ocorra. “Seguimos explorando alternativas para promover a consolidação”.

O Estado apurou que, no final do ano passado, o movimento era visto como uma solução para os problemas da empresa. Em meados de 2014, a fusão entre Oi e PT foi abalada pelo calote de € 897 milhões na companhia portuguesa pela Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo (GES). A consolidação não evoluiu, mas a empresa estruturou a venda da PT, aprovada no início deste ano, que deu flexibilidade financeira e poder para a Oi sentar à mesa com as outras empresas na negociação do processo.

Novo Mercado. O presidente da companhia também reforçou na teleconferência a intenção da companhia de antecipar para os acionistas direitos previstos no Novo Mercado, segmento de maior transparência da bolsa.

A migração, prometida para o primeiro trimestre, não pode ser feita neste momento por dificuldades da holding PT SGPS em arquivar um documento na Securities and Exchange Commission (SEC, que regula o mercado de capitais dos EUA).

O executivo citou entre os benefícios dessa “estrutura transitória” o “tag along” para todos acionistas, extensão do prêmio de controle em caso de venda da empresa. Bayard também listou a extinção de todos os acordos de acionistas da holding Telemar Participações e da Oi.

Comparação anual. Após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2014, as ações da Oi apareceram entre as principais altas na bolsa nesta sexta-feira. Os papéis preferenciais (sem direito a voto) subiram 3,70%, a R$ 5,89. Já as ações ordinárias (com direito a voto) tiveram valorização de 2,42%,negociadas a R$ 5,93.

Para a analista da Concórdia, Karina Freitas, o papel recuperou as perdas do dia anterior. Segundo relatório da corretora, apesar de os números mostrarem melhora em relação ao trimestre imediatamente anterior, ainda são decrescentes na comparação anual. / KARIN SATO E REUTERS

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