Desaceleração do PIB pode resultar em atrasos na inauguração de shoppings

Segundo Alshop, a Copa do Mundo e as eleições presidenciais em 2014 também são eventos que inibem a atividade do comércio neste ano

Marcelle Gutierrez, da Agência Estado,

30 de maio de 2014 | 11h48

SÃO PAULO - O crescimento de 0,20% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2014 e a queda de 2,1% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) confirmam a desaceleração da atividade econômica brasileira, o que pode resultar em adiamento da inauguração de shoppings center e, consequentemente, em um retardamento da expansão deste mercado, avaliou Luis Augusto Ildefonso da Silva, Diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). A Copa do Mundo e as eleições presidenciais em 2014 também são eventos que inibem a atividade do comércio neste ano, apontou Silva.

"Se tinha uma projeção de inaugurar (shoppings) em março, fica para setembro de 2015, porque os investimentos que haviam sido projetados estão sendo menores. Retarda um pouco o crescimento da indústria de shoppings, mas nada atemorizante", explicou o diretor da Alshop.

Conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, a FBCF também mostrou queda de 2,1%. Ainda segundo o instituto, a taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 17,7% no primeiro trimestre de 2014.

Silva enfatizou que as obras de shoppings iniciadas em dezembro de 2013, por exemplo, terão continuidade, mas podem ser adiadas. Além do menor investimento, o diretor pontuou a queda da evolução do comércio. "Com menor receita, os lojistas ficam mais reticentes em abrir novas lojas", disse o diretor da Alshop. Ele explica que normalmente os shoppings devem ser inaugurados com uma baixa taxa de vacância, o que não está sendo possível com a desaceleração do comércio.

Segundo Silva, a realização da Copa do Mundo também pode afastar os consumidores, principalmente se ocorrerem manifestações. "Se aliado à Copa tiver um aumento de manifestações populares, o consumidor permanece em casa. Fica uma demanda reprimida, que depois é satisfeita, claro, mas ajuda em uma inibição inicial".

Em abril deste ano, a Alshop divulgou que espera perder 11 dias de faturamento durante a Copa do Mundo.

Questionado sobre o aumento da demanda das famílias, de 2,6%, em vez dos 2,3% apontados inicialmente, o diretor da Alshop disse que foi um pouco melhor, mas não satisfatória. "É um alento para o setor", comentou Silva.

De forma geral, Silva considerou que a expansão do PIB divulgada hoje aponta para um crescimento anual bastante baixo. "Claro que a atividade econômica sempre melhora nos últimos trimestres do ano, principalmente no varejo, mas foi um crescimento baixo, que evidencia a menor expansão da atividade econômica", comentou.

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