Desaceleração na criação de empregos atingiu todos os setores, diz Sicredi

Segundo economista do banco, apesar de indústria e construção civil serem os principais responsáveis por queda dos números em novembro, todos os setores estão gerando menos vaga

Anne Warth, da Agência Estado,

20 de dezembro de 2011 | 16h06

SÃO PAULO - O economista do Banco Cooperativo Sicredi Pedro Ramos disse nesta terça-feira, 20, que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostra que os efeitos da desaceleração  foram generalizados entre os setores econômicos. Segundo ele, a construção civil e a indústria ajudaram a puxar os números de novembro para baixo, mas os demais setores também estão gerando menos vagas. A projeção do Sicredi era de uma criação de 85 mil vagas no mês de novembro. "Esse resultado não pode ser explicado por um ou outro setor especificamente. Toda a conjuntura vem caminhando para uma geração menor de vagas", afirmou.

Segundo cálculos do Sicredi, em termos dessazonalizados, novembro registrou saldo positivo de 76 mil postos - inferior aos cerca de 90 mil postos criados em setembro e outubro e à média de 110 mil, nos demais meses do ano. "Caminhávamos para um patamar mais baixo de criação de empregos, mas o processo de desaceleração do mercado de trabalho foi bem mais rápido do que esperávamos, em apenas três meses", afirmou.

A projeção preliminar do Sicredi para o Caged do mês de dezembro é de um saldo negativo de 360 mil empregos, menos que em dezembro de 2010 (-407 mil) e de 2009 (-415 mil). "Essa retração de dezembro deverá ser inferior à dos últimos anos porque não acumulamos as contratações temporárias que normalmente ocorrem no segundo semestre", afirmou Ramos. "Será uma retração muito menor do que víamos antes, mas ainda assim não será um dado bom, porque não vão demitir quem não foi contratado", afirmou.

Saldo positivo em janeiro

A partir de janeiro, o economista espera que o saldo positivo do Caged volte a uma média mais próxima de 100 mil vagas ao mês. Na avaliação dele, as medidas adotadas pelo governo vão começar a fazer efeito sobre o crédito em dezembro. Segundo Ramos, o processo de redução da Selic, que teve início em agosto, deve ter impactos em janeiro. Ele destacou também o aumento do salário mínimo, de cerca de 14%, a partir de 1º de janeiro.

"Só haverá uma intensificação do processo de demissões por parte dos empresários se houver uma piora muito pesada no cenário externo", afirmou Ramos, citando que as projeções do mercado para o crescimento do PIB em 2012 variam entre 3% e 3,5%. "Ninguém está projetando uma retração da atividade que levaria a demissões. Talvez haja uma diminuição no ímpeto de contratações", disse. A projeção do Sicredi é que o PIB cresça 3,3% em 2012, mas o número pode ser revisto para baixo, dependendo do resultado do quarto trimestre deste ano.

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