Desemprego fica em 7,3% no 1º semestre, menor taxa para o período em 8 anos

IBGE destaca, contudo, que dado positivo de junho reflete um adiamento na procura por vagas e não a geração de novos postos

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

22 de julho de 2010 | 09h00

A taxa de desemprego média do primeiro semestre de 2010 nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,3%, ante 8,6% no mesmo período do ano passado, segundo destacou o gerente da pesquisa mensal de emprego do instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. Segundo ele, essa é a menor taxa para um primeiro semestre da série da pesquisa, iniciada em 2002.

Em junho, a taxa recuou para 7,0%, ante 7,5% em maio, também a menor taxa para meses de junho em toda a série da pesquisa. Em junho do ano passado, a taxa havia sido de 8,1%.  A queda ante maio, contudo, refletiu um adiamento na procura por uma vaga no mercado de trabalho, e não a geração de novos postos, segundo observou Azeredo.

O resultado de junho ficou no piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de 7% a 7,8%, e abaixo da mediana, de 7,25%.

 

Segundo o gerente, a taxa caiu porque muitas pessoas deixaram de procurar emprego para não comprometer as férias de julho. "Houve um adiamento na procura por trabalho, provavelmente por causa da proximidade das férias. Não há como dizer que as pessoas estão desestimuladas a procurar emprego por falta de oportunidade, os dados da economia não mostram isso", disse. Segundo Azeredo, o aumento do poder de compra das famílias também pode estar permitindo esse adiamento na busca por emprego.

Apesar disso, Azeredo diz que os dados de junho confirmam que os efeitos da crise que abalou o mercado de trabalho metropolitano no ano passado já foram integralmente superados no primeiro semestre.

Qualidade da ocupação melhora

Segundo ele, os resultados do mercado de trabalho em junho são "favoráveis", já que houve queda na taxa de desemprego e melhoria da qualidade da ocupação, com crescimento da formalidade.

Azeredo destacou que o emprego com carteira está crescendo acima da população ocupada. "Isso mostra elevação da qualidade do mercado de trabalho", disse. Das 731 mil vagas geradas nas seis principais regiões metropolitanas do País em junho, ante igual mês do ano passado, 670 mil foram vagas com carteira. O número de postos de trabalho com carteira assinada aumentou apenas 0,2% em junho ante maio, mas subiu 7,1% ante junho do ano passado.

A realização da Copa do Mundo, de acordo com ele, não teve influência no resultado. "Esse efeito é muito rarefeito pelo número de dias de jogos, que não foram suficientes para ter um impacto na taxa", afirmou.

Número de ocupados e renda

Segundo divulgou o IBGE, o número de ocupados ficou estável em junho ante maio, enquanto o número de desocupados caiu 6,6% de um mês para o outro e a população não economicamente ativa (sem trabalho e sem procurar emprego) aumentou 1,1%. 

O rendimento médio real dos trabalhadores, por sua vez, registrou alta de 0,5% em junho ante maio e aumento de 3,4% na comparação com junho do ano passado. Já a massa de rendimento médio real habitual dos trabalhadores somou R$ 31,4 bilhões em junho, com aumento de 0,5% ante maio e alta de 6,7% ante junho de 2009.

Texto atualizado às 11h05 

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