Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Despesas da Petrobrás com programa de demissão somam R$ 1,2 bilhão no 2º trimestre

Quatro mil empregados aderiram ao plano e aumentaram custos da estatal, o que afetou o resultado no período; petroleira passou a investir menos

Daniela Amorim, Fernanda Nunes, Gabriela Mello, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2016 | 20h23

RIO - O Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV) da Petrobrás, ao qual aderiram 4 mil empregados no segundo trimestre deste ano, custou R$ 1,2 bilhão e foi o principal motivo para o aumento das despesas da Petrobras, informou Mário Jorge Silva, gerente-executivo da controladoria da empresa.

Além disso, pesou sobre as finanças o aumento do custo de extração, por conta da devolução de áreas exploratórias. Ele destacou ainda, ao apresentar o resultado financeiro, o crescimento das despesas operacionais em R$ 200 milhões em relação ao primeiro trimestre deste ano, por conta de gastos com consultorias. Já a valorização do dólar frente ao euro contribuiu com o resultado financeiro.

O Ebtida ajustado caiu do primeiro para o segundo trimestre, principalmente por conta do PIDV. Silva destacou ainda que a queda dos investimentos, no período, somada ao aumento da geração operacional resultaram em um crescimento do fluxo de caixa livre. A apreciação do real ajudou a diminuir a alavancagem. O prazo da dívida aumentou, mas o custo marginal da dívida subiu de 6% para 6,3% do primeiro para o segundo trimestre.

No semestre, os destaques foram a redução das reservas, refletidas no item depreciação, e o custo recorrente com a ociosidade de equipamentos. As margens, contudo, melhoraram por conta da queda da importação.  

Investimentos. Os investimentos da Petrobras totalizaram R$ 13,435 bilhões no segundo trimestre de 2016, o que representa um recuo de 26,7% em relação aos R$ 18,331 bilhões desembolsados entre abril e junho de 2015 e de 14% ante os R$ 15,593 bilhões gastos entre janeiro e março de 2016. Nos seis primeiros meses de 2016, esse montante somou R$ 29,028 bilhões e foi 20% menos em relação aos R$ 36,174 bilhões desembolsados entre janeiro e junho de 2015.

No segundo trimestre, a maior parte foi direcionada à área de Exploração e Produção (E&P), que recebeu R$ 11,935 bilhões, o equivalente a 88,8% do total. Na sequência apareceram os setores de Abastecimento, com aporte de R$ 825 milhões (6,1%), Gás & Energia, com R$ 359 milhões (2,7%), Distribuição, com R$ 121 milhões (0,9%), Biocombustível, com R$ 54 milhões (0,4%), e Corporativo, com R$ 141 bilhão (1%).

Em janeiro deste ano, a estatal revisou seu Plano de Negócios e Gestão (PNG) em 2015-2019, reduzindo a projeção de investimentos em 24,5% no período, de US$ 130,3 bilhões para US$ 98,4 bilhões, dos quais US$ 20 bilhões em 2016. Segundo o PNG, a Petrobras deve alocar US$ 80 bilhões, ou 81% do total, para a divisão de E&P, US$ 10,9 bilhões para a de Abastecimento (11%), US$ 5,4 bilhões (6%) para a área de Gás e Energia e US$ 2,1 bilhões (2%) para as demais, incluindo a Corporativa.

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