Edgar Su/ Reuters
Edgar Su/ Reuters

Desvalorização da Coinbase na Nasdaq inviabilizou negócio com Mercado Bitcoin

A decisão de cessar o negócio com a empresa brasileira, segundo fonte, veio quando as ações da companhia atravessaram o piso de US$ 120,00 e ficou evidente que as chances de recuperação dos papéis no médio prazo eram baixas

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2022 | 12h46

O anúncio que estava previsto nesta semana da aquisição da 2TM, dona do Mercado Bitcoin, pela maior corretora de critpoativos dos Estados Unidos Coinbase foi abortado ontem, após esbarrar em preço. Segundo apurou o Broadcast, a incessante queda nas ações da Coinbase inviabilizou o negócio com a 2TM, que, em grande parte, estava baseado em troca de ações. Desde que foi listada na Nasdaq, em abril do ano passado, as ações da Coinbase já perderam 64% e seu valor de mercado despencou 70% ou US$ 60 bilhões, para US$ 26 bilhões.

A decisão de cessar o negócio, segundo fonte, veio quando as ações da Coinbase atravessaram o piso de US$ 120,00 e ficou evidente que as chances de recuperação dos papéis no médio prazo eram baixas. A exchange norte-americana tem sofrido pesada concorrência no exterior e perdido terreno em alguns negócios. Ao mesmo tempo, enfrentou problemas com seu sistema de pagamentos na Índia, de ordem regulatória, e foi obrigada a suspender as transações dias depois de estrear na região.

A 2TM, por sua vez, havia paralisado vários de seus negócios, envolvendo aquisições e expansão, especialmente fora do Brasil. A estratégia da Coinbase, a partir da aquisição da 2TM, seria se estabelecer como a maior Exchange de criptoativos da América Latina. Não fazia mais sentido manter as conversas, diante de tal cenário, comentou uma fonte.

Quando as negociações com a 2TM foram iniciadas, em dezembro de 2021, as ações da Coinbase estavam em torno de US$ 280,00, mais próximas do valor em que fecharam em sua estreia na Nasdaq em 14 de abril de 2021, a US$ 328,28. Hoje, as ações da Coinbase são negociadas em torno de US$ 118,00.

Fontes comentaram que a pressão nas ações da Coinbase teriam levado à suspensão de aquisições em outras regiões além do Brasil. Em fevereiro, a Coinbase anunciou em seu blog planos para "escalar" sua operação globalmente, com a intenção de promover a "liberdade econômica no mundo". Na ocasião, previa a contratação de 2 mil pessoas este ano e aquisições em diversas regiões do mundo.

Paralelamente à aquisição da 2TM, a Coinbase já vinha montando sua operação local. No final de abril, trouxe Fabio Tonetto Plein, ex-PicPay e Uber, para ser o country manager da empresa no Brasil. Até então, somente Marcello Azambuja estava à frente do negócio no País, organizando o desenvolvimento dos sistemas digitais para conexões da Coinbase com clientes e meios de pagamento. Contratações de engenheiros, designers e diretores de pagamentos foram anunciadas.

Procurado, o Grupo 2TM não comentou sobre a eventual aquisição, mas afirmou seguir comprometido com a construção de uma infraestrutura de mercado baseada em Blockchain. A Coinbase não respondeu até o fechamento desta nota.

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