Desvalorização do câmbio é reflexo da crise, diz Mantega

Ministro afirmou que governo vai tomar medidas para que economia do País cresça entre 4% e 4,5%, apesar das turbulências no cenário internacional

Ricardo Leopoldo e Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

25 de novembro de 2011 | 18h16

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira, 25, que a desvalorização do câmbio é um reflexo da crise internacional e deve estar ocorrendo especialmente em função dos problemas econômicos registrado na Europa.

"A Europa tem instrumentos para resolver o problema, mas parece que só o agravamento levará (o Continente) a buscar solução", comentou. "Eu acredito que as autoridades europeias não deixarão a crise degringolar, pois, se isso ocorresse, a crise ficaria pior que a do Lehman Brothers (2008).

Mantega afirmou que, em um cenário otimista, a crise internacional deve fazer com que o mundo cresça pouco por vários anos. "Temos que nos preparar para essa situação", comentou. "Mas temos plenas condições de enfrentar esses desafios, pois, entre outros fatores, temos um mercado consumidor vigoroso, e a situação fiscal é ótima", disse, ressaltando que, praticamente, o governo já conseguiu cumprir a meta do superávit primário do ano.

No acumulado em 12 meses até outubro, o setor público consolidado registrou um saldo positivo R$ 133,61 bilhões das receitas sobre despesas, sem levar em consideração gastos com juros, o que equivale a 3,33% do PIB.

"O Brasil vai continuar crescendo", enfatizou. O ministro destacou que o governo continuará defendo o setor produtivo nacional em uma conjuntura da economia internacional que há acirrada competição para exportações, sobretudo de manufaturados em diversos países no mundo. "Isso não é protecionismo, mas uma legítima política de defesa comercial". 

Mantega afirmou que o governo está atento e vai tomar medidas para permitir que a economia continue crescendo a ponto de atingir o patamar de expansão do PIB entre 4,0% e 4,5%. "Houve desaceleração até outubro, mas economia voltou a acelerar em novembro", comentou. "Podem investir, podem consumir, pois a economia vai funcionar. Teremos um Natal bom", afirmou.

O ministro da Fazenda afirmou que a crise internacional já começa a provocar efeitos baixistas nos preços de commodities, especialmente os relacionados alimentos. "A inflação está bem comportada e há perspectiva de queda de preços de commodities. Não há pressão de preços, a situação (da inflação) é confortável", disse.

Setor têxtil

O ministro se reuniu nesta sexta, em São Paulo, com representantes do setor têxtil e disse que vai tomar algumas medidas ainda este ano para estimular a atividade do segmento. Mantega disse que ainda não pode antecipar quais serão essas medidas, pois ainda estão sendo trabalhadas, mas antecipou que em linhas gerais elas passarão por redução de tributos.

O setor têxtil está entre os que mais empregam no País e tem um quadro de 1,8 milhão de trabalhadores. O ministro declarou que não pretende deixar este segmento destruir empregos. Mantega diz que está preocupado porque as importações do setor cresceram 38%. "O que me deixa preocupado é que o consumo cresceu 14% e o setor têxtil teve retração de 16%", disse o ministro, justificando a necessidade de medidas para proteger o setor. O ministro também afirmou que não vai deixar o País voltar a ser um entreposto comercial. "Isso é voltar no passado", disse o Mantega.

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