Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Desvalorização do real atrai investidores estrangeiros

Além do imóvel estar mais barato em moeda estrangeira, o mercado continua ativo e não há falta de demanda

Marcia de Chiara, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2015 | 05h11

Os investidores estrangeiros que olham para o longo prazo continuam apostando no mercado de lajes corporativas no País, especialmente agora com a desvalorização do real em relação ao dólar, o que torna os ativos brasileiros mais baratos em moeda estrangeira.

“Estamos sendo invadidos por investidores que têm essa leitura do ciclo de baixa, que é muito importante hoje”, afirma o presidente da CBRE, Walter Luiz Monteiro Cardoso. Segundo ele, existe uma oportunidade ouro de investimentos tanto em São Paulo como nas demais cidades brasileiras. Ele pondera que o Rio de Janeiro, cuja economia está atrelada ao setor de óleo e gás, é preciso mais cautela, porque os preços do petróleo estão e baixa.

O executivo lembra que, entre 2004 e 2012, quando os aluguéis de lajes corporativas subiam e a taxa de vacância caía, existiam muitos investidores interessados no setor. Hoje, com os preços em queda e a vacância em alta, ele não acredita que existam motivos para os investidores ficarem reticentes.

Em primeiro lugar porque a economia brasileira hoje é maior e está mais madura em relação ao que foi no passado. O segundo fator é que não existe crise na demanda, segundo o presidente da CBRE. Para justificar a sua avaliação, ele aponta o fato de que no primeiro trimestre deste ano o mercado de São Paulo absorveu 200 mil metros quadrados (m²) de escritórios, um volume 12% maior do que no quarto trimestre de 2014. “O ano passado que foi uma ano horrível, a absorção bruta foi de 600 mil m². Não vejo outra coisa a não ser muita oportunidade no mercado.”

Para a presidente para América Latina da Cushman & Wakefield, Celina Antunes, os investidores estrangeiros que têm visão de longo prazo e presentes no País continuam apostando no setor. “Eles não estão olhando para o curto prazo.”


Especulativos. Já os investidores especulativos que chegam no País para fazer ótimos negócios num curto espaço de tempo também aumentaram o seu interesse pelo setor de lajes corporativas, segundo Celina.

Mas ela observa que isso não significa que eles estejam fechando negócios. Celina explica que o mercado brasileiro é diferente em relação ao mercado de países desenvolvidos. “Aqui as pessoas não estão alavancadas”, diz a executiva.

Isso significa que os donos dessas lajes corporativas não estão endividados e com a corda no pescoço e, portanto, dispostos a vender os imóveis por qualquer preço. “Como esses proprietários de lajes corporativas vão continuar trabalhando no mercado imobiliário, o preço pedido abaixa até o momento que eles conseguem repor esse ativo em outro local por um preço que ele consiga montar outro empreendimento em outro lugar.”

Esse seria o motivo pelo qual o preço dos ativos não recuaram tanto, de um forma geral, quanto se esperava. Mas ela lembra, no entanto, que existem prognósticos que indicam que os preços poderão cair mais no segundo semestre.

“Obviamente que há gente com a corda no pescoço, existem vários tipos de investidores”, pondera Celina. Na sua opinião, o fato de não encontrar as barganhas esperadas frustra os investidores especulativos, interessados em comprar ativos com preços muito baixos e obter ganhos rápidos. “É mais fácil a pessoa comprar uma empresa que está mal das pernas e, com isso, adquirir ativos imobiliários, do que ir atrás de imóveis que estão sendo vendidos na bacia das almas. Isso não está ocorrendo de forma tão forte quanto se pensava.” / M.C.

Demanda. 200 mil metros quadrados foi quanto o mercado absorveu de lajes corporativas na cidade de São Paulo no primeiro trimestre deste ano, volume 12% maior em relação ao trimestre anterior.

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