Lawrence Bodnar/Estadão
Lawrence Bodnar/Estadão

Diletto deve esclarecer ‘vovô’ fictício, diz Conar

Marca de sorvetes terá de explicitar em toda a sua comunicação - incluindo site institucional, embalagens e campanhas publicitárias - que o personagem nonno Vittorio, 'dono' da receita, não existe

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2014 | 21h43

A história fictícia que era contada como verdadeira pelos sócios da empresa de sorvetes Diletto deverá ser modificada, de acordo com decisão divulgada nesta quinta-feira pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Na prática, explicaram fontes do mercado publicitário, isso significará que a marca de sorvetes terá de explicitar em toda a sua comunicação - incluindo site institucional, embalagens e campanhas publicitárias - que o personagem não existe.

Um dos sócios da empresa, Leandro Scabin, contou durante anos a história de que o negócio recriava versões das receitas de seu avô, Vittorio Scabin, um italiano que fazia sorvetes no início do século 20. Além de estar disponível no site da companhia, a trajetória do “nonno Vittorio” foi reproduzida por vários jornais e revistas. Na verdade, o vovô saiu da imaginação de outro sócio da empresa, Fabio Meneghini, ex-publicitário que por anos trabalhou na WMcCann.

Depois que a informação de a história ser fictícia ter veio à tona, a Diletto divulgou nota afirmando que a história de Vittorio em nada afetava a qualidade do produto. A companhia disse que todo o resto de sua publicidade era real, incluindo o fato de usar limões sicilianos, coco da Malásia e baunilha de Madagascar para fabricar produtos.

Procurada nesta quinta-feira pelo Estado, a Diletto afirmou que não comentaria o assunto porque não foi notificada oficialmente pelo Conar, mas que pretende seguir a sugestão do órgão.

Do Bem. Outra empresa que estava na mira do Conar, a fabricante fluminense de sucos Do Bem, teve o caso arquivado por unanimidade. Segundo apurou a reportagem, a empresa apresentou até notas fiscais provando que as histórias relativas aos personagens incluídas em suas embalagens eram reais. “O suco de laranja integral Do Bem possui todos os registros aprovados pelos órgãos governamentais competentes que atestam a qualidade e classificação integral do produto”, disse a empresa, em nota.

Criado em 1978, o Conar não tem poder de retirar do ar propagandas que firam os regulamentos criados pelas próprias agências e anunciantes, mas pode recomendar alterações em seu conteúdo, como ocorre agora no caso da Diletto. 

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