Sérgio Moraes/ Reuters
Sérgio Moraes/ Reuters

Dilma chama a atenção da indústria para a criação de empregos

Segundo a presidente, os incentivos que o governo dá a diferentes setores precisam ser acompanhados por esse compromisso

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo, e Reuters,

27 de julho de 2012 | 07h54

A presidente Dilma Rousseff  fez um alerta geral à indústria brasileira nesta sexta-feira, 27, e advertiu que os incentivos que dá a diferentes setores, como as montadoras, precisam ser acompanhados por um compromisso de criação de empregos. "Esse é o único motivo pelo qual existe o incentivo", declarou Dilma em coletiva de imprensa há pouco em Londres.

A presidente também anunciou que em agosto e setembro irá divulgar novasmedidas para promover o crescimento. Uma delas é a redução do CustoBrasil, o que incluiria o custo mais baixo de energia elétrica,políticas de investimento em transporte e uma maior desoneração.


A presidente participará nesta sexta da abertura dos Jogos Olímpicos e se encontrará com atletas brasileiros, mas, aos jornalistas brasileiros, insistiu na necessidade de haver uma retribuição entre as empresas que  recebem incentivos e a criação de postos de trabalho. "Nós damos incentivos e queremos retorno, que é o emprego". Dilma aposta na aceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo semestre, mas admite que "não há país que passe essa crise sem sentir algum efeito." Dilma disse que "o Brasil não é uma ilha".

 "Todos os setores que receberem incentivos do governo têm que saber que nós fazemos isso por um único motivo no mundo: garantir o emprego e a renda do brasileiro", disse ela em entrevista à imprensa no hotel onde está hospedada. Dilmaretorna neste sábado ao Brasil.

Mais incentivos

"Nós iremos, no mês de agosto e um pedaço de setembro, tomar algumas medidas, continuando nosso programa contracíclico. Estamos muito preocupados em reduzir o custo do país", acrescentou ela, citando planos do governo de reduzir o custo da energia elétrica.

Na quinta-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o governo vai eliminar os encargos setoriais das tarifas de energia elétrica e reafirmou que a redução total da tarifa será de cerca de 10%, ou um pouco mais que isso.

Dilma ainda afirmou que o governo fará uma política de investimentos nas áreas de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias, o que incluirá concessões e outros marcos regulatórios, como parcerias público-privadas.

"Temos certeza que estamos no caminho da estabilidade. Nós vamos fazer tudo isso mantendo a solidez fiscal, a inflação sob controle e continuando nossas políticas sociais", disse Dilma.

A presidente reconheceu que o Brasil tem sofrido os impactos da crise da zona do euro, e que todos os países dos Brics - grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - vêm sendo afetados.

Dilma, no entanto, disse esperar a recuperação da taxa de crescimento do país nos próximos meses. 

"Acredito que nós iremos, nos próximos meses, crescer a uma taxa maior. Mas mesmo hoje nós estamos segurando o nível de crescimento, que é bastante significativo considerando a situação internacional", disse ela.

O governo vem buscando adotar medidas de estímulo diante da dificuldade da economia brasileira em deslanchar depois de o Produto Interno Bruto (PIB) ter crescido apenas 0,2% no primeiro trimestre na comparação com os últimos três meses de 2011.

Entre as medidas já adotadas, o governo anunciou benefícios fiscais a indústrias e consumidores, além de aumento das compras federais. Em outra frente, o Banco Central realizou oito cortes seguidos na taxa básica de juros desde agosto passado, para a atual mínima recorde de 8% ao ano.




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