Dilma confirma a senadores que vetará pontos da ‘MP Frankenstein’

Presidente afirmou que vai vetar parágrafo que obriga governo a receber moedas pobres pelo seu valor de face de ex-banqueiros falidos

Rosa Costa, da Agência Estado,

15 de junho de 2011 | 17h10

A presidente Dilma Rousseff vai vetar os parágrafos da medida provisória 517, apelidada de MP Frankenstein, que obriga o governo a receber moedas pobres pelo seu valor de face de ex-banqueiros falidos. No almoço com cinco senadores do PP, Dilma disse que o governo nem chegou a ser consultado sobre a medida, incluída na MP pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Foi o quinto almoço da presidente com senadores filiados a partidos da base do governo, depois do PT, PMDB, PTB e PR.

O presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), informou que Dilma divulgará em breve medidas de incentivo à economia. As medidas incluem a desoneração dos investimentos e das exportações; ampliação dos limites do Super Simples, agregando outras atividades liberais, como corretores e representantes comerciais, e a desoneração da folha salarial, pontos esses tidos como essenciais pelo partido para alavancar a economia do País.

"Foi uma conversa muito franca, muito otimista", informou o senador. Participaram do almoço, além dos senadores, as ministras da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; das Relações Institucionais, Ideli Salvatti; o ministro-chefe da Secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e o chefe de gabinete, Giles Azevedo.

Única senadora do partido que assinou a CPI do Palocci, Ana Amélia (RS) destacou o "trato cordial e republicano" da presidente e seu conhecimento da situação internacional, sobretudo da América Latina.

"A presidente está empenhadíssima em incentivar as importações e investimentos, dando prioridade ao Programa Minha Casa, Minha Vida", afirmou. Para Ana Amélia, Dilma foi enfática ao assegurar que não vai alterar a política do câmbio do País e que adotará medidas para tornar o setor automotivo competitivo, em relação a países, como a Argentina, que ameaçam tomar o mercado brasileiro.

Dilma também falou aos senadores da necessidade de resolver o quanto antes o problema da guerra fiscal entre os Estados para evitar que "o Brasil continue estimulando o emprego na China", como exemplificou, segundo os senadores. A presidente comemorou a situação econômica confortável do País, sobretudo em relação aos países do primeiro mundo, integrantes do BRIC.

No seu primeiro encontro com a presidente da República, o senador Ciro Nogueira (PI) saiu de lá animado. Segundo ele, pela demonstração de aproximação que Dilma quer ter com os partidos da sua base de apoio.

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