Dilma desiste da pasta de Portos e Aeroportos

Decisão se deve a relatório do governo segundo o qual País está naiminência de crise 'brutal' no setor aéreo, o que desaconselha mudançaestrutural agora

Christiane Samarco e Rafael Moraes Moura, de O Estado de S. Paulo,

22 de dezembro de 2010 | 07h44

A presidente eleita, Dilma Rousseff, desistiu de criar o ministériode Portos e Aeroportos para entregar ao PSB por conta de um informe doserviço de informação do governo. Dilma e o PSB consideraram melhor manter a Secretariade Portos como funciona hoje e deixar para criar o futuro ministériopara depois.

O relatório diz que o País está naiminência de enfrentar uma crise "brutal" no setor aéreo, inclusive com aparalisação de vários serviços e companhias, o que desaconselhaqualquer mudança. A aérea continuará sob o comando do Ministério daDefesa.

Dilma esteve nesta terça-feira, 21, com o ministro Nelson Jobim. Osrelatos que chegaram à presidente eleita e também foram repassados aoPSB indicam grave risco de caos aéreo nos próximos dias e que essasituação deve prosseguir durante o ano novo e avançar até o fim dasférias de verão.

Consultadas pelo Estado, fontes do setor confirmam que o fim de anoserá tumultuado nos aeroportos. As fontes informam que há expectativa de"tumultos, piquetes e muitos atrasos".

A secretaria dos Portos será entregue a Leônidas Cristino, prefeito deSobral eleito e reeleito com apoio do governador do Ceará, Cid Gomes, edo deputado Ciro Gomes. Antes da indicação ao ministério, Cristinoestava cotado para o secretariado de Cid, como coordenador das obras daCopa de 2014.

Cota

Sem ocupar o espaço desejado, o PSB recebeu a confirmação de que suacota se resumirá ao Ministério da Integração Nacional e à Secretaria dePortos. Dilma reuniu-se ontem com o vice-presidente do PSB, RobertoAmaral, e Cid Gomes. Para a Integração Nacional, foi designado oex-prefeito de Petrolina, Fernando Bezerra Coelho, indicação dopresidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

A definição não satisfaz a bancada do partido no Congresso, quetambém desejava indicar representantes para o ministério. Antes daescolha de Cristino, os nomes dos deputados Márcio França (PSB-SP) eBeto Albuquerque (PSB-RS) haviam sido cotados para o cargo.

Dilma já havia deixado claro que não ampliaria a fatia da legenda nobolo ministerial anteontem, em reunião com a cúpula do PSB. Na ocasião, aeleita defendeu "equilíbrio" na representação dos partidos aliados naEsplanada, observando a necessidade de deixar espaços para acomodar opróprio PT.

Colaborou Carmen Pompeu, de O Estado de S.Paulo

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