Dilma diz que poupança é da área da Fazenda e do Banco Central

Presidente foi questionada por jornalistas sobre a possibilidade de mudanças nas regras da caderneta de poupança, mas não quis falar sobre o assunto

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura,

20 de abril de 2012 | 14h26

Questionada sobre a possibilidade de mudanças nas regras da caderneta de poupança, a presidente Dilma Rousseff não quis falar sobre o assunto. "Essas discussões não devem ser feitas comigo. É da área do ministro da Fazenda, em consulta ao Banco Central. Essa não é uma área na qual me posiciono", disse a presidente, em resposta à pergunta feita pela Agência Estado.

A discussão ganha importância em um momento de queda da taxa básica de juros (Selic), que além de balizar diretamente as aplicações em renda fixa influencia indiretamente no cálculo da poupança. Nesta quarta-feira, o juro foi reduzido para 9% ao ano. O rendimento da caderneta de poupança é de 0,5% ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR), que por sua vez leva em consideração em seu cálculo o rendimento dos CDBs, títulos bancários de renda fixa que têm seu retorno diminuído com a queda do juro.

A presidente falou com jornalistas no encerramento das cerimônias de formatura da turma de 2010-2012 do Instituto Rio Branco e de Condecoração da Ordem de Rio Branco, no Palácio Itamaraty.

A presidente falou também sobre a questão dos juros praticados no País. "Acredito que o Brasil tem de buscar patamares de juros similares aos praticados internacionalmente. Tecnicamente fica muito difícil o Brasil, diante do que ocorre no mundo, justificar spreads tão elevados", criticou. Questionada sobre qual seria o spread considerado ideal, a presidente respondeu: "Se alguém te der essa resposta, você me apresenta, que eu vou indicá-lo para o prêmio Nobel".

Para a presidente, juros e spreads mais baixos estão em processo de amadurecimento no País. "Vamos caminhar progressivamente para ter juros mais condizentes com a nossa realidade porque não somos um país qualquer", disse. Ela destacou que o Brasil tem respeito aos princípios macroeconômicos de controle de inflação e apresenta robustez fiscal. "Temos uma situação muito especial em relação às economias emergentes", reforçou.

Ela disse que acompanha a situação econômica do País "todos os santos dias". "Para ver se a inflação aumenta, se os preços estão sob controle, a situação das commodities, olhar a taxa de câmbio do nosso país e dos demais. Esse acompanhamento eu vou fazer sistematicamente. Vou olhar também os juros, aliás, tenho olhado", disse.

CPI

Assim como não falou sobre mudanças na caderneta de poupança, Dilma evitou comentar a decisão do Congresso de criar a CPI do Cachoeira. "Vocês acreditam mesmo que eu vou me manifestar? Além das minhas múltiplas atividades que eu tenho de lidar, vou interferir na questão de outro Poder? Acho que todas as coisas têm de ser apuradas, mas não me manifesto sobre a CPI. Eu não me manifesto sobre outro Poder", declarou.

Dilma também foi questionada sobre a decisão do governo argentino de expropriar a participação da empresa espanhola Repsol na petroleira YPF e disse que o Brasil respeitará a medida. "Eu estou dizendo que o Brasil não interfere em assuntos internos de outros. De maneira alguma interferiremos, nem faremos juízos de valor", disse a presidente.

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