Dilma encerra discurso com voz embargada e critica governo anterior

Não havia planejamento estratégico, crescimento de investimento público e parceria com a iniciativa privada, diz ministra

Leonardo Goy, da Agência Estado,

29 de março de 2010 | 14h10

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, encerrou seu discurso na cerimônia de lançamento do PAC 2 com a voz embargada. Ao se referir ao novo papel do Estado que, segundo ela, foi definido no governo Lula, e às perspectivas de crescimento do País com o PAC 2, Dilma, dirigindo-se ao presidente e disse que "este é o Brasil que o senhor, presidente Lula, recuperou e construiu para todos nós e que os brasileiros não deixarão mais escapar e que eu espero vai continuar crescendo com o PAC 2".

 

A ministra voltou a criticar o governo anterior. Segundo ela, no Brasil existiram três modelos de Estado. O primeiro, na década de 50, era o estado produtor, que atuava diretamente na economia e às vezes era autoritário. O segundo "foi o estado mínimo do neoliberalismo que nos antecedeu". O "estado do não", enfatizou.

 

"Não havia Planejamento estratégico, não havia crescimento de investimento público e não havia parceria com a iniciativa privada". "Foi um estado omisso", acrescentou.

 

O terceiro modelo do Estado brasileiro, segundo a ministra, foi implantado durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. "É o do Estado indutor, regulador, que cria condições para que os investimentos sejam feitos e cobra". Segundo a ministra, esse modelo respeita a iniciativa privada, não abre mão do desenvolvimento, mas garante a estabilidade macroeconômica. A regra central, segundo a ministra é que o desenvolvimento ocorra com distribuição de renda. "Três expressões renasceram no governo Lula: Planejamento, investimento e desenvolvimento com inclusão social. Deixamos para trás décadas de improvisação".

 

A exposição de Dilma sobre o PAC, a última como ministra da Casa Civil, teve um caráter mais político do que técnico. Diferentemente das apresentações anteriores Dilma não se prendeu aos números e às tabelas exibidas para a plateia. Em vez disso preferiu uma abordagem mais qualitativa sobre o impacto das obras e o motivo de cada investimento. Ao falar sobre novos investimentos de geração de energia elétrica, por exemplo, Dilma não listou quais usinas serão construídas e quantos megawatts serão produzidos. Em vez disso, preferiu garantir mais uma vez que não faltará energia ao País e que a expansão da geração se dará por meio de fontes menos poluentes, como usinas hidrelétricas e de biomassas.

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