Dilma promete mais medidas de incentivo a empresas e pode ampliar desoneração

 A desoneração da folha, restrita a menos de dez setores, poderá ser estendida a toda a indústria e o PIS-Cofins, considerado o mais complexo dos tributos federais, será simplificado

Lu Aiko Otta, Iuri Dantas e Rafael Moura, de O Estado de S. Paulo,

22 de março de 2012 | 22h45

BRASÍLIA - Diante de 28 pesos pesados da economia brasileira, a presidente Dilma Rousseff prometeu ontem adotar novas medidas de estímulo ao setor produtivo. A desoneração da folha, restrita a menos de dez setores, poderá ser estendida a toda a indústria. O PIS-Cofins, considerado o mais complexo dos tributos federais, será simplificado. Haverá também um esforço para que a aduana brasileira se torne tão eficiente quanto a americana. 

Além disso, o governo vai continuar com a estratégia de segurar o câmbio, baratear capital de giro, ampliar o crédito e melhorar a infraestrutura. Estuda também formas de reduzir o custo de energia. Com isso, a presidente destacou que o governo fará sua parte e pediu aos empresários que sigam investindo. "Eu preciso que vocês deem o melhor do que existe no espírito empreendedor brasileiro", disse.

Dilma incumbiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de elaborar as novas medidas, com foco especial na indústria de transformação, segundo relatou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. O ministro estará em São Paulo na próxima segunda-feira para discuti-las. 

O governo decidiu intensificar os estímulos ao setor produtivo por causa das dificuldades de alcançar taxas elevadas de crescimento este ano. A presidente comentou que a desaceleração chinesa vai repercutir no mundo inteiro, daí a necessidade de agir com mais intensidade. 

"A presidente colocou uma posição muito clara de defesa da indústria nacional", disse o empresário Jorge Gerdau. "O governo quer que as empresas brasileiras concorram com as estrangeiras em condições de igualdade", avaliou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade. E isso será feito sem medidas protecionistas, destacou Luiza Trajano, dos Magazines Luiza. 

Agenda positiva. A reunião de três horas e meia com os empresários foi, também, uma tentativa de criar uma agenda positiva, num momento em que o governo enfrenta uma rebelião em sua base aliada no Congresso. O empresariado vinha se ressentindo da falta de diálogo, e ontem teve oportunidade de falar. A queixa comum é o peso do custo Brasil. 

Para Skaf, a desoneração da folha para a indústria pode ser uma medida de grande impacto, desde que não seja compensada com novo tributo sobre o faturamento, como foi feito até agora. O governo não deu resposta sobre esse ponto. 

Skaf afirmou também que a taxa de câmbio em R$ 1,80 gera distorção na economia. "É a mesma taxa de 2000. Mas, nos últimos 12 anos, tivemos uma inflação de 112%." Para compensar o desequilíbrio, o presidente da Fiesp propõe aumento da alíquota do Reintegra. Hoje, o programa devolve o equivalente a 3% das exportações. O ideal, segundo ele, seria 10%.

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