Diretor da Anac defende subsídio da Petrobras para aviação

O diretor da agência reguladorado setor de aviação, Anac, Ronaldo Seroa da Motta, defendeu aconcessão de subsídio temporário no querosene de aviação (QAV)vendido pela Petrobras às companhias aéreas nacionais, temaque, segundo ele, já está em discussão dentro do governo. "As declarações sobre o pré-sal hoje fazem efeito muitomaior na vida da Petrobras do que dar um pequeno subsídio noQAV", avaliou Motta a jornalistas em evento sobre aviação noRio de Janeiro. Segundo cálculo de um analista de um grande banco deinvestimentos, as especulações em torno do pré-sal já abateram80 bilhões de reais do valor de mercado da estatal[ID:nN27476029]. A concessão de subsídio no QAV é um pleito do setor, que sesente penalizado pelo aumento de preço do combustível em razãoda alta do barril de petróleo no mercado internacional. Atéagosto, o QAV acumula alta de 36,38 por cento em relação aomesmo período do ano passado. O combustível é responsável porcerca de 40 por cento dos custos de uma companhia aérea. "Esse subsídio tem que ser temporário, senão nunca asempresas irão se adaptar, ou você vai ter uma economia que vaiter um setor vivendo artificialmente vivendo às custas de umpreço irreal", ressaltou Motta. "A discussão está no âmbito da Defesa (Ministério), comSnea (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas) e Petrobras. Nãosei a quantas anda, mas está lá", acrescentou. O preço do QAV é ajustado quinzenalmente de acordo com avarição do barril do petróleo no mercado internacional e aoscilação do dólar norte-americano no mercado interno. O setoraéreo defende que esse critério também seja alterado, propostaque Motta vê com simpatia. "Eles estão querendo descolar o preço internacional. É umacoisa que faz sentido. Se imaginar que essa crise é parasempre, deveria-se dar um tempo para as empresas se ajustarem.O QAV não é o carro-chefe da Petrobras", avaliou Motta. Para Motta, por ser de caráter temporário, a proposta temmais chances de ser aprovada. "Não se vai colocar em risco um setor preponderante e quenão tem como se ajustar rápido. O setor de aviação temcapacidade de conservação de energia muito mais reduzida emrelação a outros setores. Ele não tem como trocar combustível",acrescentou. O diretor da Anac acha que o setor aéreo tem de apresentarbons argumentos para convencer a área fiscal do Governo de quea mudança no modelo ou a concessão de subsídio são necessárias. "No Ministério da Fazenda não tem bobo, na Receita e noTesouro também. Eles querem números. Quando se dá um benefíciofiscal, que acho que o setor merece, está se tirando docontribuinte, de outros setores da economia", avaliou. "Achoque o pleito do setor, diante da carga tributária brasileira, épequenininho", finalizou Motta. (Edição de Denise Luna)

RODRIGO VIGA GAIER;, REUTERS

27 de agosto de 2008 | 17h48

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