Diretor do BC defende controle da inflação e câmbio flutuante

Taxas de inflação elevadas comprometem o planejamento das famílias e dos investimentos empresariais, diz o diretor de assuntos internacionais

Célia Froufe e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

23 de fevereiro de 2010 | 11h24

Indicado para o cargo de diretor de Assuntos internacionais do Banco Central, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, fez defesa do controle da inflação em vários trechos de seu discurso. Ele faz pronunciamento neste momento na Comissão de Assuntos Internacionais (CAE) do Senado para ser submetido à sabatina por parlamentares.

 

"A política macroeconômica, em sentido amplo, pode e deve ser conduzida com o objetivo primário de criar condições favoráveis ao crescimento sustentável", disse. Especificamente sobre a política monetária, Araújo defendeu que sua principal contribuição é manter a inflação continuamente sob controle "em níveis baixos e estáveis". "De fato, a evidência internacional indica que as taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco e das taxas de juros, tanto para o financiamento privado quanto para o público", afirmou.

 

Araújo acrescentou que taxas de inflação elevadas comprometem o planejamento das famílias e dos investimentos empresariais. "Esses resultados negativos ocorrem porque um pouco mais de inflação, em geral, apenas se transforma em um pouco mais de expectativas de inflação e em um pouco mais de piora nas perspectivas de médio e longo prazo da economia", argumentou. Para ele, "um pouco mais de inflação" não traz qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego, mas é responsável por prejuízos no médio e longo prazos. O engenheiro indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo reconheceu, porém, que não existe uma solução definitiva para o problema.

 

Araújo enfatizou que a economia brasileira tem convivido com níveis baixos de inflação em relação a décadas anteriores. Para ele, uma das principais bases dessa condição foi a implantação do regime de metas de inflação, seguida da decisão de se adotar um regime de câmbio flutuante. "Completa o tripé que tem mantido a inflação sob controle no Brasil, a adoção de uma política fiscal compatível com a sustentabilidade das contas do setor público."

 

Segundo o sabatinado, o tripé se mostrou robusto e flexível sem ser uma "panaceia". "Durante a recente crise financeira internacional, esse tripé permitiu à economia brasileira mostrar resistência e capacidade de reação sem precedentes", defendeu. "Neste contexto, entendo que resta ao banco Central se manter continuamente vigilante quanto à evolução da inflação, e pronto para agir de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação no passado recente sejam permanentes", continuou.

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