Diretor do BOE estima custo da crise entre US$ 60 tri e US$ 200 tri

Valor representa pouco mais de 1% do PIB do Reino Unido 

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

30 de março de 2010 | 12h44

A perda de produção global resultante da crise bancária podem ficar entre US$ 60 trilhões e US$ 200 trilhões, avalia Andrew Haldane, diretor-executivo para estabilidade financeira do banco central da Inglaterra (BOE, na sigla em inglês).

 

Ao discursar sobre os custos da "poluição bancária", Haldane observou que o custo direto do governo britânico com o resgate de bancos talvez se mostre pequeno, somando menos de 20 bilhões de libras, ou pouco mais de 1% do produto interno bruto (PIB) do Reino Unido.

 

Nesse caso, eventuais cobranças para que os bancos arquem com os custos da crise também seriam pequenas, segundo ele, inferiores a 1 bilhão de libras por ano no Reino Unido e abaixo de US$ 5 bilhões anuais nos Estados Unidos.

 

Haldane advertiu, no entanto, que o custo direto para o governo "quase certamente subestima os prejuízos provocados pela crise em setores mais amplos da economia".

 

"Evidências extraídas de crises anteriores sugerem que as perdas de produção induzidas por crises são permanentes, ou no mínimo persistentes, no que diz respeito ao impacto sobre o nível de produção, sem contar sua taxa de crescimento", declarou. "Se as perdas para o PIB forem permanentes, o custo da crise pode exceder significativamente os números atuais", prosseguiu.

 

Haldane calculou que os prejuízos à produção global podem alcançar entre US$ 60 trilhões e US$ 200 trilhões no decorrer dos próximos anos. No caso específico do Reino Unido, observou ele, o custo ficaria entre 1,8 trilhão e 7,4 trilhões de libras.

 

Entretanto, Haldane defendeu que os bancos não sejam responsabilizados por todo esse prejuízo, e não apenas porque o montante estaria além de sua capacidade anual de pagamento.

 

"Seria plausível argumentar que esses prejuízos à produção superestimam significativamente os danos infligidos pelos bancos aos outros setores da economia", disse ele. "Os outros certamente não podem ser absolvidos de culpa pela crise. Para cada credor irresponsável provavelmente há um devedor irresponsável", sentenciou. As informações são da Dow Jones.

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