Diretor do FMI não vê risco para superávit do País

Dirigente acredita que o País deverá crescer entre 4% a 4,5% nos próximos 18 meses e que a meta de superávit, de 3,1% do PIB, será atingida em 2012

Bianca Ribeiro, Eduardo Cucolo e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

31 de julho de 2012 | 13h25

O diretor executivo do Brasil e de mais oito países no Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira Batista Junior, acredita que as medidas anticrise que estão sendo adotadas pelo governo até o momento não apresentam riscos para o cumprimento do superávit primário do País deste ano, cuja meta é de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

"A preocupação principal do governo é reativar a economia não só com incentivos fiscais, mas também por meio de crédito e redução de juros", afirmou o dirigente, durante mesa redonda sobre o posicionamento global dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O crescimento brasileiro deve atingir taxas de 4% a 4,5% nos próximos 18 meses, estimou Batista Junior. Otimista, o dirigente acredita que o efeito do juro mais baixo ainda não foi completamente sentido pela economia. Ele disse ainda que esta avaliação leva em conta o cenário atual, sem grandes "colapsos" na economia europeia e sem considerar a hipótese de uma nova rodada de estímulos por parte do governo, que vem sendo esperada para agosto.

Sistema sólido

O Banco Central (BC) divulgou nota sobre dois relatórios apresentados hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que avaliam o setor financeiro no Brasil. De acordo com o BC, o Fundo considera que esse setor é "sólido, bem capitalizado e possui elevados níveis de liquidez e de provisões contra a inadimplência".

Ainda conforme o BC, o FMI avalia que o Sistema Financeiro Nacional (SFN) está bem preparado para o complexo cenário global atual e para auxiliar o crescimento sustentável do País. "Os testes de estresse do setor bancário feitos pelo FMI mostraram que o SFN (Sistema Financeiro Nacional) suportaria choques extremos, inclusive aqueles advindos de uma recessão global mais severa. Tais resultados corroboram as análises dos Relatórios de Estabilidade Financeira produzidos pelo Banco Central", diz o BC em nota.

Os comentários das autoridades brasileiras se referem aos relatórios de Avaliação da Estabilidade do Setor Financeiro (FSSA) e de Avaliação da observância dos Princípios da Basileia para a Supervisão Bancária Efetiva (BCP DAR), realizados no âmbito do Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP).

Para elaboração do documento, o Brasil recebeu missões do FMI e do Banco Mundial entre novembro de 2011 e março de 2012.

Resposta à crise

O Banco Central também comentou que o Fundo considerou "rápida e eficaz" a resposta das autoridades brasileiras à crise externa, com o uso, por exemplo, de redes de proteção financeira como o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

"Essas respostas tempestivas, que envolveram a utilização de colchões de liquidez em divisas internacionais e em moeda local, permitiram que o País e o SFN atravessassem bem a crise financeira internacional", diz o BC.

Ainda de acordo com o BC, o relatório do FMI aponta que as medidas macroprudenciais adotadas mostraram-se acertadas, úteis para gerenciar os fluxos de capital e melhorar sua composição. "O uso do compulsório e de requerimentos de capital para instituições financeiras funcionou bem para mitigar riscos no SFN", diz o BC.

O FMI atribui ainda a expansão do crédito no País, em grande parte, a "relevantes transformações sociais e macroeconômicas", diz o BC. A autoridade monetária afirma que, desde o último Programa de Avaliação do Setor Financeiro do Fundo, realizado em 2002, "ocorreram significativos avanços institucionais".

"Considerada forte, sofisticada e proativa, a supervisão bancária brasileira foi objeto de avaliação positiva em seu relatório de avaliação. Os instrumentos à disposição do Banco Central e sua estrutura de supervisão permitiram ao País ter excelentes notas em matéria de adequação às melhores práticas internacionais, representadas pelos Princípios de Basileia para uma supervisão efetiva, se destacando entre os países do G-20", diz o BC.

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