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Diretor-executivo do Banco Itaú pede corte de gastos públicos

Para Werlang, BC ainda tem espaço para prosseguir com os cortes da taxa básica de juros

Paulo Maciel, da Agência Estado,

26 de julho de 2007 | 06h34

O Banco Central ainda tem espaço para prosseguir com a seqüência de cortes da taxa básica de juros, a Selic, com ao menos mais um corte de meio ponto porcentual. A opinião é do diretor-executivo do Banco Itaú, Sérgio Werlang. Para ele, o governo deveria gastar menos, para permitir a queda da taxa de juro real da economia e colocar, mais rapidamente, o Brasil na condição de grau de investimento. "Na parte externa o Brasil já tem um comportamento muito parecido com as economias emergentes que são grau de investimento", observou Werlang ao programa Conta Corrente, da Globo News. "No entanto, na parte de gastos públicos e dívida pública, o País ainda tem uma dívida muito elevada, mesmo em comparação com outros países emergentes que ainda não são grau de investimento." Em relação a Selic, o diretor-executivo do Banco Itaú disse que o Banco Central deixou claro, na ata da última reunião do Copom, qual a meta de inflação para 2008/2009. Não obstante, Werlang acredita que os bons resultados de inflação justificariam a manutenção do ritmo de corte das taxas de juros. "O Banco Central está nessa linha e espero que nas próximas reuniões do Copom nós tenhamos cortes de 0,5 ponto - pelo menos na próxima reunião ainda -, tendo em vista os excelentes resultados inflacionários", sustentou. Assim, a taxa brasileira convergiria para um índice mais próximo dos parâmetros internacionais. "Com uma inflação de 4%, por exemplo, não seria absurdo esperar que nós tivéssemos uma taxa Selic para 2010, 2011 na faixa de 7% a 8%, talvez até um pouquinho menor." O FMI revisou a previsão do crescimento mundial de 4,9% para 5,2%, em 2007, e manteve a do Brasil em 4,4%. O crescimento foi puxado pela China, Índia e Rússia. "Nós estamos em um estágio de desenvolvimento muito superior e muito mais consolidado do que esses três Brics referência aos países emergentes Brasil, Rússia, Índia e China que puxaram a revisão", justificou Werlang. O diretor do Itaú prevê um crescimento de 4,6% para este ano, muito próximo ao que ocorre no Chile, e nos antigos Tigres Asiáticos, motores do desenvolvimento na década de 80 até um pedaço da década de 90. "De modo algum é uma taxa ruim", sustentou. Câmbio Werlang prevê um cenário externo favorável às exportações do Brasil nos próximos anos, o que deverá continuar pressionando o câmbio. "Esse cenário internacional é garantido pelo crescimento mundial", frisou. "E justamente isso é o que deixa o nosso câmbio apreciado." O diretor-executivo do Banco Itaú chamou a atenção para a revisão para baixo feita pelo FMI para o crescimento norte-americano (de 2,2% para 2%), por causa da crise provocada pelo setor imobiliário no país. "Porém, o que interessa para o Brasil é o crescimento do mundo, já que é o mundo que demanda commodities que estão fazendo com que a nossa posição seja tão confortável", explicou. Agroindústria e Selic O cenário traçado por Werlang prevê ainda, o que ele considera uma natural especialização do Brasil - um grande produtor de commodities - no setor da agroindústria. "Quando o nosso câmbio fica mais apreciado por fatores como a modificação de preços relativos de commodities - com demanda maior no mundo do que os produtos industriais, em geral produzidos pela China a um preço mais barato -, no fundo vai fazer com que o Brasil tenha um câmbio mais apreciado", ponderou. O remédio, segundo ele, é aprender a conviver com isso. "Haverá uma mudança gradual da nossa estrutura produtiva para uma coisa mais próxima às indústrias que sejam mais ligadas a commodities", colocou.

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