Diretores do Fed alertam para riscos externos à recuperação econômica

Em encontro, BCs dos EUA destacaram as incertezas sobre a crise da dívida da Europa foi o principal problema a ser enfrentado

Andréia Lago, da Agência Estado,

16 de dezembro de 2011 | 19h06

NOVA YORK - As ameaças representadas por eventos externos esteve no centro das declarações de banqueiros centrais dos Estados Unidos nesta sexta-feira, 16. Numa sequência de declarações, os membros do Federal Reserve - todos eles membros votantes do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) atualmente - fizeram avaliações sobre a dimensão dos riscos vindos do exterior e até onde o Fed deveria ir para lidar com o problema.

Os comentários chamam atenção por seguirem-se à reunião de política monetária realizada pelo Fed nesta semana, além de destacarem o desafio que os eventos globais estão impondo à recuperação da economia dos EUA. Entre o comunicado do Fed e os comentários feitos pelas autoridades do BC americano nos discursos recentes, a Europa e seu esforço incerto e ainda não resolvido para conter a crise de dívida dos governos são o tema principal.

Em discurso feito em Austin, no Texas, o presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, afirmou que "no fronte externo somos observadores inocentes", referindo-se à crise europeia. Ele também não poupou críticas às autoridades chinesas, que não teriam tomado medidas convincentes em relação à bolha imobiliária do país.

Outros dois diretores do Fed foram menos dramáticos, sem apontar culpados pelos riscos à economia americana vindos de fora, optando por concentrar o foco nas medidas tomadas pelo banco central para proteger os EUA da turbulência externa. Os comentários centraram-se na defesa da linha de swap cambial do Fed para outros grandes bancos centrais, instrumento implementado pela primeira vez em 2008, durante a crise financeira, e retomado no ano passado. As taxas reduzidas dessa linha para ajudar a ampliar a liquidez em dólar na Europa tornaram-se alvo das críticas de parlamentares republicanos.

Até agora, o volume dessas operações é pequeno, mas na semana passada o Banco Central Europeu ajudou a elevar o volume total para US$ 54,3 bilhões, num sinal de que o nervosismo está aumentando nos mercados.

O presidente do Fed de Nova York, William Dudley, disse hoje no Congresso dos Estados Unidos que essa linha "não foi criada para ajudar a Europa, e sim para ajudar a nós mesmos". Ele sugeriu que o limite para mais ações do Fed é "extraordinariamente elevado", mas que a crise europeia é um problema que as próprias autoridades da UE terão de resolver. O presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, expressou apoio à linha de swap de dólar pelo Fed durante um evento na Itália. "Estou confiante que quando essas linhas precisarem ser acessadas, isso poderá ser feito", afirmou.

As informações são da Dow Jones.

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