Discurso de Yellen no G-20 tranquiliza países emergentes

Presidente do Fed disse que a retirada dos estímulos monetários continuará, mas sinalizou maior preocupação com seus efeitos

Fernando Nakagawa, enviado especial, O Estado de S. Paulo

22 de fevereiro de 2014 | 18h20

Os Estados Unidos parecem ter conseguido amenizar parte da inquietação dos países emergentes. No primeiro dia da reunião das 20 maiores economias do mundo, o G-20, a presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Janet Yellen, reafirmou que a retirada dos estímulos monetários - o chamado tapering – continuará, mas sinalizou que há maior preocupação com seus efeitos. O discurso foi considerado transparente e ajudou a diminuir o tom crítico entre emergentes.

"Acho que (Yellen) amenizou a inquietação e aumentou o entendimento de que há uma preocupação global", disse o secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio Cozendey. Nas últimas semanas, países como África do Sul e Índia culparam o Fed por realizar ações consideradas descoordenadas, o que teria causado turbulência e desconfiança internacional com mercados em desenvolvimento.

Durante a reunião, Janet Yellen reiterou que a injeção de dinheiro na economia americana deve continuar diminuindo nos próximos meses. Sem se comprometer com um prazo, afirmou que a estratégia não é uma regra, mas que o BC dos EUA avalia os dados e, desde que não haja mudanças significativas, a estratégia iniciada em dezembro tende a seguir.

Apesar de reafirmar o plano criticado pelos emergentes, o discurso de Yellen respondeu a parte das reclamações. A presidente do Fed enfatizou a importância da cooperação global e contou com o apoio de nomes como o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, e o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney. "Há o entendimento de que problemas nos emergentes poderiam atrapalhar a recuperação dos desenvolvidos", diz Cozendey.

Mas não é só Yellen que explica o recuo das críticas. Autoridades também amenizaram o tom após a dura resposta liderada dos EUA que sugeriu na sexta-feira que países em desenvolvimento devem "colocar a casa em ordem" para evitar a fuga de investidores. O discurso foi apoiado pela Austrália, alguns países europeus e entidades internacionais.

Nesse cenário, segundo uma fonte do Broadcast, serviço de tempo real da Agência Estado, emergentes estão mais inclinados à avaliação de que a normalização da política monetária dos EUA "está mais previsível", após o início conturbado. A reclamação de quem pedia "coordenação" global das políticas monetárias parece dar espaço ao plano de "adaptação" dos próprios países ao novo quadro global.

Brasil. Na reunião de ontem, o Brasil defendeu que o processo de ajuste de preços que aconteceu nos últimos meses não representa maior fragilidade macroeconômica dos países. "Ajuste de preço não quer dizer fragilidade", disse o secretário brasileiro. Uma das explicações da comitiva é que a queda do real nas últimas semanas é uma resposta natural a uma mudança de cenário.

O argumento é que, no auge do otimismo, o País chegou a receber até US$ 20 bilhões em um mês, o que fortaleceu rapidamente a divisa brasileira. Agora, com a normalização da política monetária nos EUA, há saída de uma parcela desse dinheiro e, por consequência, a moeda brasileira se ajusta para baixo.

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