Discussões da UE atrasam resgate à Grécia, diz premiê grego

Primeiro-ministro prometeu em reunião televisionada do gabinete resolver a crise fiscal que tem tumultuado a zona do euro

Reuters,

12 de fevereiro de 2010 | 19h15

O primeiro-ministro grego George Papandreou culpou nesta sexta-feira, 12, as discussões entre órgãos da União Europeia pelo atraso no resgate ao seu país, e prometeu acelerar o trabalho para resolver a crise fiscal que tem tumultuado a zona do euro.

 

Papandreou agradeceu seus colegas da UE por prometerem apoio político à Grécia durante a cúpula informal na quinta-feira, mas disse que isso veio tarde demais na sua batalha com os mercados financeiros.

 

"A Grécia não é uma superpotência política ou econômica para lutar sozinha. Nos últimos meses, a União Europeia deu o seu apoio político ... mas na batalha contra as impressões e a psicologia do mercado ela pareceu, para dizer o mínimo, tímida", disse ele em uma reunião televisionada do gabinete.

 

A Grécia chocou os mercados ao revelar em outubro que o seu déficit orçamentário atingiria 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2009, três vezes mais que o previsto. Os bônus e o mercado de ações gregos foram abalados por preocupações sobre uma crise de dívida.

 

A UE ofereceu apoio político, mas nenhum plano concreto de resgate à Grécia na quinta-feira. Os ministros das Finanças da UE discutirão a questão novamente na semana que vem.

 

Papandreou disse que, nos últimos meses, a UE apoiou o plano de redução de déficit grego, mas que foi muito menos eficiente em chegar a uma posição comum sobre a pressão dos mercados.

 

"Houve falta de coordenação entre os vários órgãos da UE - a Comissão, os Estados-membros, o BCE - e mesmo diferenças de opinião dentro desses órgãos", disse ele.

 

"Tudo isso prejudicou a nossa credibilidade até mesmo dentro da União Europeia ... tudo isso não ajudou nossa posição nos mercados."

 

Papandreou também acusou os órgãos da UE de não assumir a sua responsabilidade por falhar no monitoramento do governo conservador anterior, que ele culpou por manipular dados e colocar a Grécia em um caminho destrutivo.

 

"Houve um esforço por muitos na União Europeia para esconder as suas responsabilidades atrás da Grécia: a responsabilidade da União Europeia, da Comissão, e mesmo da Eurostat de alertar e indicar ao governo anterior sobre em que terreno escorregadio que o país estava", disse ele.

 

Papandreou disse que a crise foi um grande teste, não só para a Grécia, mas para toda a UE, e prometeu que o seu país honraria o apoio do bloco, trabalhando duro para cumprir seu plano fiscal.

 

"Essa batalha não terminou ... A Grécia será a fonte de todos os males se nós não implementarmos o plano", disse ele. "É o nosso dever provar pelas nossas ações que nós cumpriremos nossos compromissos."

 

(Por Dina Kyriakidou)

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