Reuters - 5/2/2020
Reuters - 5/2/2020

Disney+ amplia número de assinantes, mas aumento da concorrência preocupa

Apreensão é que o excesso de serviços de streaming tenha começado a fazer as plataformas devorarem umas às outras e esfriado o interesse dos consumidores

Brooks Barnes, The New York Times

10 de fevereiro de 2022 | 05h00

Seis meses atrás, o crucial serviço de streaming da Disney continuava superando as expectativas de Wall Street quanto ao número de assinantes. As ações da Disney estavam sendo negociadas a cerca de US$ 180, um grande aumento em relação ao ano anterior. Soando quase leviano, Bob Chapek, CEO da Disney, disse a analistas que a variante Delta não tinha prejudicado os parques, classificando as vendas como “muito boas”.

As ações da Disney caíram 20% desde então, resultado da desaceleração do crescimento da plataforma Disney+ e das preocupações dos investidores com o negócio de streaming no geral. A apreensão é que o excesso de serviços tenha começado a fazer as plataformas devorarem umas as outras e esfriado o interesse dos consumidores: a empolgação acabou. Além disso, a variante Ômicron surgiu bem na época das festas de fim de ano, quando os parques da Disney costumam ficar lotados.

Como reverter?

Alguns passos começaram a ser dados. A Disney divulgou seus lucros do último trimestre após o fechamento do pregão de ontem, e os resultados agradaram parte dos investidores, mais do que visto em seu principal concorrente. Mês passado, a Netflix disse ter conquistado 8,3 milhões de assinantes em seu trimestre mais recente, em vez dos 8,5 milhões projetados, e previu uma desaceleração para o trimestre atual em comparação com o ano anterior. As ações da Netflix caíram imediatamente 20%, arrastando para baixo com ela as da Disney e de outras empresas.

Mas a Disney, por ora, apresenta números sólidos. Analistas esperavam que o Disney+ tivesse adicionado 7 milhões de assinantes no último trimestre, mas a companhia reportou 11,8 milhões de novos entrantes. As ações da empresa subiam mais de 8% nas negociações após o fechamento do pregão.

Mesmo assim, ainda há muita dúvida no mercado quanto ao futuro do negócio. Michael Nathanson, um dos principais analistas de mídia, diz que o fato de o Disney+ ter superado sua meta de cinco anos de assinantes apenas nove meses depois de seu lançamento pode trazer alguns problemas. “O que eles vão fazer agora para se destacar? Quanto da desaceleração se deve à falta de variedade de conteúdo – insuficiente para pessoas mais velhas e pessoas sem filhos?” E disse também: “Há muita preocupação no mercado em relação ao streaming. As pessoas estão mais pessimistas do que já estiveram.”

Após uma prolongada despedida, Robert A. Iger, ex-CEO e presidente executivo da Disney, deixou formalmente a empresa no final do ano passado. E Chapek já tem alguns sucessos para chamar de seus, como a série Encanto, que chegou ao Disney+ pouco antes do final do trimestre. O Livro de Boba Fett, uma série ambientada no universo Star Wars, também estreou no Disney+ em dezembro, com a empresa esperando pegar carona na popularidade de The Mandalorian, um dos seus melhores desempenhos.

Em termos de variedade, o Disney+ teve sucesso com a série The Beatles: Get Back. O título impulsionou 209 mil assinaturas do Disney + em sua estreia (no dia em que foi lançado e nos dois dias seguintes), segundo a empresa de pesquisa Antenna. 

Lucro da Walt Disney

A Walt Disney reportou um lucro de US$ 1,15 bilhão no primeiro trimestre fiscal de 2022, ante US$ 29 milhões no mesmo período de 2021. A receita, por sua vez, foi de US$ 21,819 bilhões, um avanço de 34% na comparação anual. 

Porém, a empresa alertou alguns desafios para o futuro: desaceleração econômica, aumento da competição no serviço de streaming e o impacto da pandemia nas suas operações e colaboradores. /TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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