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Disney compra Fox para brigar com Netflix e Amazon

Acordo de US$ 52 bilhões, anunciado nesta quinta-feira, 14, é ofensiva do estúdio contra a emergência de empresas de tecnologia na área de conteúdo

Brooks Barnes, The New York Times

14 Dezembro 2017 | 10h58

A Walt Disney & Co. firmou nesta quinta-feira, 14, acordo para comprar a maior parte dos ativos da 21th Century Fox, conglomerado controlado por Rupert Murdoch, em um negócio avaliado em US$ 52,4 bilhões. Segundo analistas, a Disney tenta ganhar força para bater de frente com empresas de tecnologia que têm investido pesado no conteúdo premium para vídeo online, como Amazon e Netflix, e outras que começam a apostar fortemente no setor, como Apple, Facebook e Google.

Embora o acordo esteja sujeito à aprovação dos órgãos antitruste, a antes impensável aquisição promete remodelar Hollywood e afetar também o Vale do Silício. É o maior contra-ataque de uma companhia de mídia tradicional contra gigantes do setor de tecnologia que vêm investindo agressivamente em entretenimento.

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Nova era. Ao mesmo tempo, o acordo significa que um dos mais venerados estúdios de cinema, a Fox, vai diminuir de tamanho, com algumas operações sendo transferidas para a Disney ou então reformuladas, para se dedicar não mais ao cinema, mas ao vídeo online.

Fundada em 1935, Fox Studios revelou Marilyn Monroe, produziu clássicos como A Noviça Rebelde, lançou o primeiro filme da série Star Wars e, mais recentemente, Avatar, que se tornou a maior bilheteria de todos os tempos.

Mas ultimamente, como a maior parte de Hollywood, a Fox vem lutando para acompanhar o ritmo das mudanças e a maneira como o público jovem consome conteúdo - ou seja, num aparelho ligado à internet. 

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Para completar a integração, Robert A. Iger, diretor executivo da Disney, renovou seu contrato pela quarta vez, adiando sua aposentadoria de julho de 2019 para o fim de 2021. Murdoch estabeleceu que Iger permaneceria na função como condição para o fechamento do acordo, que atinge US$ 66,1 bilhões quando incluídas as dívidas.

A rede de TV Fox News e o canal de esportes a cabo FS1 ficaram fora do negócio. Murdoch declarou que fará uma cisão dessas empresas e de várias outras propriedades, incluindo o terreno dos estúdios da 21th Century Fox em Hollywood.

Força renovada. A Disney, já proprietária da ABC e da ESPN, espera que a Fox potencialize seus planos de lançar dois serviços de streaming no estilo do Netflix. A primeira grande operação da companhia nessa área, a ESPN Plus, será lançada no início de 2018. A segunda, ainda sem nome, criada em torno das marcas Disney, Marvel, Lucasfilm e Pixar, será inaugurada no fim do próximo ano. Em seu portfólio de streaming estará o Hulu, site de vídeos sob demanda hoje restrito aos EUA.

Iger adquiriu a participação minoritária da Fox no Hulu, resultando em um controle majoritário do serviço de streaming pela Disney, que antes detinha uma participação de 30%. Comcast e Time Warner também têm participações no Hulu.

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A Disney está adquirindo o estúdio de TV da Fox, que tem 36 séries em produção, incluindo Os Simpsons, Homeland, This is Us e Modern Family. O setor de televisão da Disney, representado pelo ABC Studios, tem um nível de qualidade menos consistente - seu maior sucesso é Grey’s Anatomy. Mas a autora desta série, Shonda Rhimes, migrou para o Netflix. 

A Disney também ficará com as redes a cabo FX e National Geographic e fatias na Sky, da Grã-Bretanha, e Star, da Índia. Esse componente do acordo parece contradizer o objetivo da companhia de diminuir sua dependência da TV tradicional. Mas esses ativos atendem a outro objetivo: tornar a Disney mais internacional. A companhia tem empreendimentos importantes na Europa, Japão e China, onde inaugurou a Disneylândia de Xangai. Mas seus lucros ainda vêm dos Estados Unidos, graças em especial à força da ESPN, e ao público que visita os parques da Disney na Flórida e na Califórnia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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