Distribuição de renda é essencial para país seguir com crescimento

Para o diretor de pesquisas da Associação Brain, investimento em infraestrutura e a facilitação do ambiente de negócios também são medidas que dariam suporte à expansão da economia

Wladimir D'Andrade, da Agência Estado,

26 de dezembro de 2011 | 17h58

SÃO PAULO - A consolidação do Brasil como a sexta maior economia do mundo, como aponta o estudo do Centro de Pesquisa para Economia e Negócios (CEBR, em inglês), é justificada pelo diretor de pesquisas da Associação Brain, André Sacconato, pelas reformas macroeconômicas e institucionais realizadas pelo País nos últimos anos e que tiveram como resultado a formação de mercado interno robusto. O desafio agora, segundo o economista, é dar suporte para que essa economia cresça no longo prazo, o que consiste em investir em infraestrutura, facilitar as regras do ambiente de negócios e distribuir renda.

Sacconato cita o mercado interno como o diferencial do Brasil no cenário econômico mundial. Ele diz que isso só se tornou viável com uma estruturação macroeconômica, com destaque para o fim da superinflação, a implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e uma distribuição de renda caminhando junto com o crescimento do País. "O crescimento atual do Brasil trouxe benefícios para a classe média, o que gerou um mercado interno que o mundo inteiro está de olho", diz. "Esse é o diferencial do Brasil hoje."

O economista reconhece que o Brasil ainda tem muito para caminhar. Um exemplo disso é que, apesar de ultrapassar o Reino Unido e se colocar como a sexta maior economia global, o País ainda está longe dos líderes do ranking de Produto Interno Bruto per capita. "O cuidado que devemos ter é fazer política de distribuição de renda, o que o Brasil não fez nos anos 1970", afirma. "É interessante olhar para as políticas sociais que foram feitas, como por exemplo as do salário mínimo, para continuar com a distribuição de renda ao longo dos próximos anos."

Ele defende ainda reformas microeconômicas no País, que possibilitem atrair investimentos estrangeiros, e o fortalecimento da indústria nacional por meio de redução de tributos, qualificação da mão-de-obra nacional e construção de uma infraestrutura que aumente a competitividade da economia brasileira. "O caminho que o Brasil está fazendo é o correto. Temos apenas que fazer ajustes da rota."

Commodities

Sacconato diz não mostrar preocupação com o fato da economia nacional ter sido impulsionada nos últimos anos pelo mercado de commodities. Afirma que o Brasil deve tirar proveito das vantagens competitivas sobre as commodities. "A China continuará crescendo por um bom tempo e os países mais pobres que demandam comida apresentam crescimento maior do que os países desenvolvidos que demandam computadores", diz. "Criamos, sim, uma certa dependência da China, mas é melhor do que criar dependência da Europa, que apresenta crescimento muito baixo."

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