Dívida Pública Federal sobe 2,28%, para R$ 1,808 trilhões

Segundo o Tesouro Nacional, aumento foi provocado por uma emissão líquida de R$ 11,67bi e um impacto de juros no estoque da dívida de R$ 28,673 bi no período

Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado,

24 de outubro de 2011 | 14h47

A Divida Pública Federal (DPF), interna e externa, apresentou uma alta de 2,28%, superando a marca de R$ 1,8 trilhão.  Segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 24, pelo Tesouro Nacional, a DPF, em setembro, teve uma alta de R$ 40,34 bilhões. No ano, de janeiro a setembro, o estoque da DPF cresceu R$ 114,70 bilhões, aumento correspondente a 6,77%.

Em setembro, o aumento da DPF foi provocado por uma emissão líquida de R$ 11,67 bilhões e um impacto de juros no estoque da dívida de R$ 28,673 bilhões. Os dados do Tesouro mostram que o crescimento da dívida, em 2011, foi decorrente sobretudo do impacto da correção dos juros no estoque da dívida, que no período alcançou R$ 160,49 bilhões. Por outro lado, o Tesouro fez um resgate líquido de papéis, nesse período de janeiro a setembro, de R$ 45,78 bilhões.

Faltando três meses para acabar o ano, o Tesouro Nacional vai precisar se esforçar para atingir o piso da meta para a participação de títulos prefixados no estoque da DPF. A fatia dos prefixados na dívida atingiu 35,24% em setembro, ante 34,82% em agosto, mas ainda está fora do mínimo de 36% definido pelo Tesouro como meta para o ano. Os demais títulos estão dentro de suas respectivas bandas definidas pelo órgão.

DPFMI

A dívida pública mobiliária federal interna (DPFMI) subiu 1,83% em setembro, atingindo R$ 1,723 trilhão. No período, o estoque da dívida apresentou um incremento de R$ 30,960 bilhões. Esse aumento foi provocado por uma emissão líquida de papéis de R$ 13,30 bilhões e um impacto de juros no estoque da dívida de R$ 17,662 bilhões.

De acordo com dados do Tesouro Nacional, a parcela da DPFMI atrelada à Selic caiu de 33,94% em agosto para 33,27% em setembro. A participação de títulos prefixados subiu de 35,68% para 36,30%. A parcela de títulos remunerados por índices de preços manteve-se praticamente estável, com uma ligeira queda de 29,86% para 29,84%. A participação de títulos atrelados à variação do câmbio subiu de 0,52% para 0,59%.

O prazo médio para a DPMFI caiu em setembro, de 3,59 anos para 3,53 anos. Um indicador bastante observado pelas agências de classificação de risco, a parcela das dívidas que vencem em até 12 meses aumentou de 24,07% em agosto para 25,52% em setembro. O custo médio da DPMFI acumulado em 12 meses aumentou de 12,62% ao ano em agosto para 12,79% ao ano em setembro. Esse aumento é decorrente da elevação da taxa Selic antes de agosto e do IPCA mais alto.

 Redução da fatia de investidor estrangeiro

O mês de setembro foi marcado por uma redução da presença de investidores estrangeiros na DPMFI. De acordo com o Tesouro Nacional, os não residentes detinham 11,75% da DPMFI em agosto, mas tiveram essa fatia reduzida para 11,29%. Em valores nominais, a participação de estrangeiros caiu de R$ 198,95 bilhões para R$ 194,65 bilhões em setembro.

Em compensação, as instituições financeiras aumentaram sua participação de 30% em agosto para 30,45% em setembro (para R$ 524,85 bilhões). Os fundos de previdência também aumentaram sua presença, passando de 14,60% para 15,51%, respectivamente, para R$ 267,36 bilhões.

Nova emissão para BNDES

O coordenador de Operação da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, informou que ainda não há decisão sobre uma nova emissão de R$ 25 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Não tem definição. A ser negociado", disse. Questionado se o empréstimo seria descartado este ano, o coordenador respondeu: "Não estou descartando".

O Tesouro tem autorização este ano para fazer um empréstimo de até R$ 55 bilhões para o BNDES. Desse total, R$ 30 bilhões já foram liberados.

 

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