Dólar alto pode gerar saldo a receber para a Comgás

Segundo a companhia, tarifas de gás devem sofrer um reajuste maior no ano que vem

Wellington Bahnemann, da Agência Estado,

25 de outubro de 2011 | 14h41

Com o dólar na faixa de R$ 1,70 a R$ 1,75, a Comgás deve apurar um saldo a receber dos consumidores no próximo reajuste tarifário, em maio de 2012, projeta o diretor de Finanças e Relações com Investidores da companhia, Roberto Lage. Segundo o executivo, isso se deve à diferença entre o câmbio praticado para compra do gás natural e o valor que é reconhecido pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) na tarifa de gás, que é de R$ 1,62.

"Ao final de setembro, o nosso saldo a devolver aos consumidores era de R$ 5 milhões. Se continuar nesse novo patamar, vamos ter um saldo a receber no reajuste tarifário", disse Lage durante entrevista à imprensa.

Na prática, a criação de um saldo a receber dos consumidores pode significar um reajuste maior das tarifas de gás em maio do ano que vem. Para evitar esse tipo de oscilação, tanto no reajuste tarifário para os consumidores, quanto no impacto nos resultados da companhia, a Arsesp colocou em consulta pública no começo deste mês um conjunto de regras que cria um gatilho que reajusta as tarifas da concessionária dependendo do saldo acumulado na conta corrente.

De acordo com Lage, um dos critérios propostos pelo regulador é que o gatilho seja disparado quando o saldo da conta corrente, seja a favor do consumidor ou da concessionária, ultrapasse 5% da receita líquida da distribuidora.

No caso da Comgás, esse porcentual giraria em torno de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões. Ou seja, se o saldo a devolver para os consumidores ou a receber pela concessionária, ultrapassar esses valores, a Arsesp promoveria um reajuste extraordinário na tarifa, não esperando para realizá-lo na data base prevista para o reajuste tarifário, que é maio de cada ano. "Com isso, podemos ter até três reajustes tarifário por ano dependendo da situação", afirmou Lage.

O diretor vice-presidente Comercial, Planejamento e Suprimento de Gás da Comgás, Sérgio Luiz da Silva afirmou que a adoção dessa regra torna o modelo de reajustes da empresa mais próximos das concessionárias de outros Estados, que repassam para os consumidores de maneira imediata qualquer oscilação nos custos de compra de gás. A expectativa da Comgás é de que as regras que definem o gatilho para o saldo da conta corrente seja divulgado pela Arsesp ainda este ano.

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