Dólar alto traz maior risco de IPCA superar teto da meta, diz FGV

'Se já havia um aperto sem levarmos o câmbio em consideração, agora, com esta situação, ficou ainda mais difícil', disse o economista André Braz

Flavio Leonel, da Agência Estado,

23 de setembro de 2011 | 19h27

O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz reconheceu nesta sexta-feira, 23, que a recente alta forte do dólar em relação ao real é mais um fator preocupante para o cumprimento da meta de inflação em 2011. Em entrevista à Agência Estado, ele disse que a recuperação da moeda norte-americana observada nesta semana aumenta o risco de o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superar o teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central para este ano.

"O que me parece mais provável é que não iremos cumprir a meta neste ano, nem o teto dela", afirmou Braz. "Se já havia um aperto sem levarmos o câmbio em consideração, agora, com esta situação, ficou ainda mais difícil. A probabilidade de cumprirmos a meta agora é bem menor", acrescentou.

A meta perseguida pelo BC para a inflação de 2011 é de 4,5%, com dois pontos porcentuais de tolerância para cima ou para baixo. Na mais recente pesquisa Focus divulgada pela autoridade monetária, a mediana das expectativas dos economistas do mercado financeiro para o IPCA acumulado deste ano estava em 6,46%, muito próxima do teto de 6,5% para a meta estabelecida. O dólar balcão terminou hoje na mínima do dia, a R$ 1,8370, com queda de 3,82%. Na semana, porém, a moeda dos EUA se valorizou 6,47%. No mês, registra alta acumulada de 16,22%.

"Não há indicação de que este comportamento do câmbio vai se reverter fortemente ao longo deste ano. Ele pode se estabilizar num nível acima de R$ 1,80 e, na medida em que este câmbio permanece neste patamar por mais dias, aumenta a possibilidade de assistirmos a um pass-through (repasse) cambial ao longo deste ano", disse Braz. "Eu não digo agora em setembro, mas, mais para o final de outubro, quem sabe algum produto já não mostre algum efeito deste câmbio mais elevado", acrescentou.

O economista, que detalhou hoje à imprensa a taxa de 0,58% do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da FGV na terceira quadrissemana do mês, ressaltou que a instituição ainda não captou o efeito da recente alta do dólar e avaliou que os produtos ligados às commodities internacionais poderão sofrer este impacto mais rapidamente do que os bens duráveis. "Na medida em que ficamos com o real desvalorizado e existem pressões por aumento em commodities, como trigo e soja lá fora, teremos que desembolsar mais reais para comprar mais dólar e adquirir estes produtos", lembrou.

Braz ponderou que ainda existe muita volatilidade nos mercados internacionais e disse que, por isso, é cedo para chegar a uma conclusão do que acontecerá com o todo o cenário macroeconômico. De acordo com ele, a conclusão mais próxima mesmo é de que a possibilidade de rompimento do teto da meta de inflação, em 2011, crescerá cada vez mais.

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