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Dólar cai pelo 3º dia e fecha abaixo de R$ 4

Entrada de recursos em função de investimentos estrangeiros fez a moeda americana cair 1,34%, para R$ 3,96

Fabrício de Castro e Claudia Violante, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2016 | 12h07
Atualizado 01 Fevereiro 2016 | 18h29

O dólar completou hoje a terceira sessão consecutiva de perdas ante o real. Em função do fluxo de investimentos estrangeiros na Bovespa e na renda fixa, além da redução de posições compradas por parte de alguns players, a divisa americana fechou em queda de 1,34%, aos R$ 3,9675. É o menor valor de fechamento para o dólar registrado neste ano de 2016. 

Pela manhã, o fato de a divisa americana no exterior estar sem uma tendência única, em relação às moedas de países emergentes ou exportadores de commodities, segurava as oscilações também no Brasil. No geral, profissionais lembraram os ganhos mais recentes da Bovespa e o aumento da liquidez global - com o Japão anunciando estímulos - para justificar a venda de dólares.

Internamente, o retorno dos trabalhos no Congresso e no Judiciário, nesta semana, era lembrada. Mas nenhuma notícia foi capaz de influenciar tão diretamente as cotações. "A demanda por dólares continua curta neste início de ano. Sustentar posições com a moeda em patamares tão elevados é caro, então o pessoal vende", disse um profissional de corretora. "Apesar das incertezas, não há demanda por dólares para manter as cotações lá em cima", acrescentou.

Do dia 21 de janeiro, quando o dólar atingiu seu pico histórico desde o início do real, para a sessão de sexta-feira (29), a posição líquida comprada dos estrangeiros em dólar futuro caiu de 115.974 contratos (US$ 5,799 bilhões) para 83.241 contratos (US$ 4,162 contratos. Isso corresponde a apenas uma parcela do posicionamento mais geral destes players, que atuam também em derivativos como cupom cambial - DDI e opções, mas serve como termômetro para as tendências mais amplas.

Alguns profissionais também citaram a entrada mais recente de investidores estrangeiros em ativos brasileiros. A percepção de que o Brasil "está barato" ajudou a Bovespa a subir nas últimas sessões e, hoje, estrangeiros atuavam na compra de PU nos contratos futuros de juros (vendiam taxas). Mais para o fim do dia, a compra de ações brasileiras por estrangeiros também se intensificou, o que provocou a disparada de ordens de stop por investidores comprados (posicionados na alta do dólar), ampliando o movimento.

Bolsa. A Bovespa garantiu sua quarta sessão consecutiva de ganhos no final da sessão, ajudada por fluxo estrangeiro e cobertura de posições vendidas. Ibovespa subiu 0,41% e encerrou na máxima pontuação do dia, 40.570 pontos. Na mínima, marcou 39.738 pontos (-1,65%). No ano até hoje, acumula retração de 6,41%. Nestas quatro altas seguidas, subiu 8,20%. 

A Bolsa começou o dia influenciada pelos dados da China e recuo do preço das commodities, como o petróleo. Acompanhou de perto o desempenho de Wall Street. À tarde, no entanto, profissionais comentaram que um fluxo comprador por parte de estrangeiros foi responsável por içar o Ibovespa para o azul.

A Bolsa não se firmou nesse momento em alta: passou a trabalhar com pequena queda, melhor do que trabalhava no mesmo instante as bolsas norte-americanas. Nos minutos finais, no entanto, a Bolsa brasileira bateu máximas, em alta, quando Wall Street também devolveu consideravelmente as perdas com que vinha operando. E assim garantiu mais uma sessão de ganhos. 

Vale caiu 2,26% na ON, mas a PNA virou no final e subiu 0,14%. Petrobras caiu 5,05% na ON e 2,48% na PN. 

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