Dólar e euro estarão vulneráveis ao Fed e ao BC europeu na próxima semana

Primeira reunião de Mario Dragui como presidente da autoridade monetária europeia e a divulgação de uma dados e encontros políticos aguardam os investidores

Renan Carreira, da Agência Estado,

28 de outubro de 2011 | 17h34

Tanto o dólar quanto o euro devem ficar vulneráveis na próxima semana a decisões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central Europeu, embora o Fed represente um risco maior para o dólar do que o BCE para o euro.

Uma série de dados e encontros políticos aguardam investidores, incluindo leituras sobre a produção global e os importantes números do mercado de trabalho (payroll) dos Estados Unidos. Além disso, o G-20 vai se encontrar na França para discutir a economia mundial e abordar o plano dos líderes da zona do euro para tentar resolver a crise da dívida soberana na região.

O novo presidente do BCE, Mario Dragui, chefiará sua primeira reunião de política monetária, a qual alguns acreditam que poderá marcar o começo da campanha para reduzir os custos dos empréstimos na zona do euro, uma vez que ela enfrenta a ameaça de fraco crescimento e a crise da dívida. Isso poderia reduzir a vantagem do rendimento do euro, o qual na esteira da euforia do mercado sobre o acordo da dívida da Europa subiu para uma máxima de sete semanas, a US$ 1,4248.

Já o Fed vai anunciar sua decisão na quarta-feira após iniciar uma nova tentativa de diminuir as taxas de juro de longo prazo na sua última reunião. E o banco central dos EUA pode representar o desafio mais incômodo para o dólar. Um grupo de autoridades do Fed recentemente alimentou especulações de que uma terceira rodada de afrouxamento quantitativo, ou QE3, poderia estar a caminho.

Uma recente reportagem do jornal The Wall Street Journal sugeriu que o Fed pode canalizar suas compras de bônus do Tesouro em títulos lastreados em hipotecas, a fim de ajudar a impulsionar a economia. Isso poderia ter o mesmo efeito de enfraquecer o dólar que a anterior rodada QE2 teve.

O presidente do Fed, Ben Bernanke, "está muito comprometido em manter a política monetária ultra-acomodatícia para ajudar a sustentar o refinanciamento a baixas taxas de juros. Os benefícios disso superam os riscos de inflação", disse Michael Woolfolk, estrategista de câmbio do Bank of New York Mellon.

A maioria do Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc) se sente "confortável seguindo a liderança de Bernanke", afirmou Woolfolk. "Então nós podemos essencialmente ignorar os relatórios de inflação para o futuro previsível até segunda ordem."

Em combinação com o acordo da Europa para reduzir a carga da dívida da Grécia, a sugestão de mais estímulos monetários ajudou a arrastar esta semana o índice do dólar na plataforma ICE para a sua mais profunda depressão em cerca de dois meses. As preocupações com o dólar poderiam se aprofundar se o Fed mencionasse mais afrouxamento além da Operação Twist adotada na última reunião.

E mesmo se o banco central não levantar explicitamente a cortina do novo afrouxamento imediatamente, as taxas de juros dos EUA - atualmente entre as mais baixas em economias desenvolvidas - são um peso para o dólar. Isso especialmente agora que os investidores redescobriram o apetite deles por retornos mais elevados, graças à melhoria dos dados econômicos e do alívio momentâneo na crise da zona do euro.

Dito isso, a decisão política do BCE poderia proporcionar surpresas desagradáveis para o euro. Como as preocupações com a dívida grega abalaram os mercados ao redor do mundo, os dados na zona do euro mostraram sinais de fraqueza, levando alguns analistas a acreditar que o BCE vai lançar os fundamentos para um corte nos custos de empréstimos ao mesmo tempo em que compra bônus agressivamente para apoiar a dívida soberana da zona do euro. Com Draghi no comando após a partida de Jean-Claude Trichet, alguns acreditam que é o momento certo para o BCE mudar o curso de sua tradicional ênfase na inflação.

As informações são da Dow Jones.

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