Dólar não é problema para o agronegócio

Amaryllis Romano, da Tendências Consultora, avalia que soja pode subir mais 5%

Alexandre Inacio e Luciana Xavier,

30 de outubro de 2007 | 16h33

Produtores de todo o Brasil já estão preocupados com as recentes quedas do dólar que devem provocar no novo descasamento entre o momento de compra dos insumos e de comercializar a safra. Essa defasagem, no entanto, não será um problema para o agronegócio brasileiro nesta safra, segundo a consultora Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria, que concedeu entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. "O dólar não foi um problema na safra passada e não será agora", disse a consultora.   Em sua avaliação, a alta nos preços internacionais devem compensar a desvalorização cambial. Além disso, Amaryllis lembra que a defasagem entre o plantio e a comercialização deverá ser muito menor do que o registrado em outras safras, reduzindo ainda mais o impacto do dólar sobre o agronegócio brasileiro. "Os grãos e oleaginosas estão com boas perspectivas e no caso específico da soja o crescimento da oferta é menor do que o aumento da demanda mundial, o que deve fazer os preços subirem entre 3% e 5%", afirma, ao lembra do potencial de crescimento de 8% na safra brasileira. O otimismo em relação ao cenário para o agronegócio será mantido caso não se altere o cenário de manutenção do crescimento da economia americana, depois de superada a crise no setor imobiliário. "Sem um ruptura na economia dos Estados Unidos o cenário é bastante favorável, inclusive para as exportações que não devem ser prejudicadas pelo dólar, uma vez que os preços e os volumes deverão compensar essa queda", afirma. Apesar das perspectivas de aumento nos preços internacionais dos alimentos, a consultora lembra que esse crescimento não fugirá do controle e, por esse motivo, os efeitos inflacionários no Brasil serão muito baixos. A exceção fica por conta das carnes, especialmente de aves e suínos, que têm como insumos principais a soja e o milho e por isso devem sofrer reajustes nos preços. "Não será um ano tranquilo para as carnes, mas acreditamos que o pior já passou", afirma. Mesmo com preços considerados remuneradores aos agricultores, a área plantada na safra 2007/08 não será a mesma registrada antes da crise do setor. Para a consultora, o aumento da área e a abertura de novas regiões de fronteira não estão mais relacionados aos preços internacionais, mas sim, a fatores estruturais de logística que o Brasil ainda precisa avançar. "Precisamos primeiro resolver os problemas internos para depois pedir preços mais elevados", afirmou Amaryllis. A respeito dos atuais problemas vividos pelo setor de leite, a consultora lembra que isso deverá ter impactos negativos tanto no consumo interno, quanto nas exportações do produto. "O Brasil demorou para conseguir seu lugar ao sol no mercado internacional de lácteos e deverá sofrer impactos pontuais com os atuais problemas sanitários vividos pelo setor", disse. No que se refere ao mercado de etanol, Amaryllis considera que a grande demanda ainda será por parte do mercado interno, ficando as exportações em segundo plano. Ele considera que as vendas das usinas terão que atender, antes de tudo, a grande frota de caros flex que está sendo criada no Brasil. Sobre a possibilidade de uma nova crise para o agronegócio brasileiro, Amaryllis disse que elas estão diretamente relacionadas aos ciclos de preços vividos pela atividade. Segundo a consultora, o cenário atual rompeu a crise de preços baixos por meio de novas demandas geradas a partir do consumo na Ásia e da produção de energia e combustíveis a partir de commodities agrícolas. "Existem muitos fatores envolvidos, como o petróleo e os biocombustíveis, para podermos prever quando será a próxima crise", disse. 

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