Antonio Milena/Estadão
Antonio Milena/Estadão

Dona da Consul e Brastemp dá férias a 5 mil funcionários

Whirpool quer adequar produção a ritmo lento das vendas

Márcia de Chiara, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2014 | 07h53

Para adequar a produção ao ritmo menor de vendas e escapar do período de baixa produtividade por causa da Copa do Mundo, 5 mil trabalhadores da Whirpool estarão em férias coletivas no mês que vem. Dona das marcas Consul, Brastemp e KitchenAid, a empresa é a maior fabricante de eletrodomésticos da linha branca do País e produz fogões, geladeiras, forno de micro-ondas, lavadoras, lava-louças e aparelhos de ar condicionado.

A paralisação envolve as fábricas de Manaus (AM), onde são produzidos aparelhos de ar-condicionado, forno de micro-ondas e lava-louças; de Rio Claro (SP), responsável pela fabricação de fogões e lavadoras, e os funcionários que trabalham no setor administrativo da companhia (1,3 mil trabalhadores). Fica de fora dessa parada apenas o efetivo da fábrica de Joinville (SC), onde é produzida a parte de refrigeração.

Em Manaus, as férias coletivas serão de 30 dias; em Rio Claro, entre os dias 16 e 25 de junho e o pessoal administrativo ficará em casa entre os dias 12 e 25 de junho.

De acordo com a companhia, em Manaus as férias coletivas em junho são normais por causa do baixo período de vendas de aparelhos de ar-condicionado. Mas, no caso de Rio Claro e da parte administrativa da empresa, a decisão de dar férias coletivas nesta época do ano é inédita e foi motivada pela queda de produtividade pelos vários feriados seguidos por causa da Copa do Mundo.

Segundo Enrico Zito, presidente para América Latina da unidade de eletrodomésticos da Whirlpool, as vendas do mercado de linha branca tiveram crescimento próximo de zero no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2013. E, para este trimestre, a perspectiva é mais negativa: queda entre 10% e 15% na comparação anual em número de unidades vendidas.

"Sempre em anos de Copa as vendas de linha branca enfraquecem, mas neste ano foram potencializadas pela desaceleração da economia brasileira", afirma o executivo.

De toda forma, ele não confirma que os estoques da empresa estejam acima do planejado. Mas um estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), com base nos dados do IBGE do comércio, mostra que o segmento de eletrodomésticos encerrou o primeiro trimestre com forte descompasso entre ritmo de venda e de acúmulo de estoques. As vendas cresceram 6,5% entre janeiro e março na comparação anual e os estoques, 12,1%, Resultado: o encalhe no varejo aumentou e as lojas compram menos da indústria no momento seguinte.

Diante do desempenho registrado até agora, Zito projeta crescimento de vendas próximo de zero para o mercado de linha branca em 2014. Alguma reação é esperada para o 2.º semestre. "Vamos crescer menos este ano, mas dá para ser feliz."

Preço. Junto com a paralisação das atividades, a companhia decidiu aumentar em cerca de 10% os preços dos produtos. Esse reajuste decorre da pressão de custos acumulada pela empresa nos últimos tempos, que não é mais possível de ser absorvida. "Temos feito um esforço para aumentar a produtividade, mas a pressão de custos é muito grande e precisamos repassar ao preço de venda."

Zito admite que terá uma difícil equação a resolver pela frente, que combina queda de vendas com aumento de preços. "Seguramente aumento de preço não ajuda a vender."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.