Dona do All-Star tenta chutar impostores para fora das prateleiras

Dona do All-Star tenta chutar impostores para fora das prateleiras

Converse decide levar 31 empresas aos tribunais, entre elas as gigantes de varejo Wal-Mart, Kmart e Skechers, por violação de suas marcas registradas de tênis fabricados desde 1917

The New York Times

15 de outubro de 2014 | 14h40


Primeiro vieram os atletas, depois os jovens da brilhantina. Então vieram os inconformados, os adolescentes e, finalmente, os pais de família. A fabricante de sapatos Converse vendeu sua marca descolada e seu ar de rebeldia a gerações de americanos.

Agora essa marca de calçados dos Estados Unidos com um século de existência diz que alguns dos elementos centrais dos seus tênis modelo Chuck Taylor - as faixas pretas na lateral e o bico com revestimento de borracha sobre os dedos - têm sido encontrados em produtos da Wal-Mart, Kmart, Sketchers e outras.

A Converse decidiu levar o caso aos tribunais, acusando 31 empresas de violarem suas marcas registradas em 22 processos distintos abertos na terça feira no Tribunal Distrital dos EUA no Brooklyn.

Mas, embora o processo da Converse (que pertence à Nike desde 2003) envolva indenizações monetárias, sua real prioridade é tirar os impostores das prateleiras. Para tal fim, a empresa está apresentando uma queixa separada perante a Comissão Internacional do Comércio, que tem o poder de impedir sapatos considerados falsificados de entrarem no país.

"A meta é impedir tudo isso", disse Jim Calhoun, diretor executivo da Converse. "Acho que temos a sorte de sermos os donos de algo considerado um ícone americano." Wal-Mart, Kmart e Skechers não responderam aos pedidos de contato na terça-feira.

Com o revestimento largo de borracha sobre toda a parte dos dedos e a estrela fácil de reconhecer, a Converse deu início ao ícone das marcas atléticas americanas muito antes do setor ficar saturado de Nikes, Reeboks e Adidas. A Converse apresentou seu primeiro tênis criado para jogadores de basquete, o All-Star, em 1917.

Seu mais popular porta-voz, Chuck Taylor, foi um famoso jogador de basquete, e juntou-se à empresa nos anos 1920. O estilo foi batizado com o nome dele, o modelo de tênis é conhecido como Chuck há gerações.

Os tênis Chuck Taylor tiveram seu auge nos anos 1950 e 60, com a revolução no gosto e na moda, oferecendo um contraponto aos sapatos de Oxford, de amarrar, como opção para o uso diário.


História. "Era a turma da brilhantina e as meninas do baile", disse Ellen Goldstein, professora de desenho de acessórios no Instituto de Tecnologia da Moda, em Nova York. "Depois, nos anos 60, tivemos a geração dos hippies e dos inconformados." Durante anos, a Converse foi bem representada pelos jovens bacanas nas telonas. 

A gangue dos T-Birds de john Travolta em Nos tempos da brilhantina usava jaquetas de couro e tênis Chuck Taylor enquanto passeava pela escola Rydell High. O boxeador Rocky Balboa, interpretado por Sylvester Stallone em Rocky, usava tênis Chuck Taylor para treinar.

 "Todos os grandes astros usaram esse modelo em algum momento da carreira, pois é comum associá-lo a uma era", disse Hal Peterson, autor de Chucks! The Phenomenon of Converse Chuck Taylor All-Stars (Editora Skyhorse, 2007).

"É esse o modelo procurado quando se quer situar um personagem naquela época, mas, na verdade, os Chuck Taylor vêm sendo usados pelas pessoas em praticamente todas as épocas desde o lançamento." Mas o invejável lugar de honra ocupado pela Converse no reino da cultura pop não foi constante. 

A empresa passou por dificuldades antes de dar entrada num pedido de recuperação judicial nos anos 1990, e só conseguiu reformular sua marca quando a Nike fez um novo investimento na promoção do All-Star depois de comprar a Converse em 2003.

A Nike injetou nova vida na marca ao expandi-la, introduzindo novas cores e estilos e ajudando a levar o All-Star para mercados no exterior./Tradução de Augusto Calil

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