Donas de parte do pré-sal,empresas portuguesas preferem cautela

As empresas portuguesas da áreade energia Galp Energia e Partex estão entusiasmadas com osblocos que possuem na área pré-sal no Brasil, mas consideramainda muito cedo para estimar o volume de petróleo que poderãoencontrar. Assim como a Petrobras, parceira nos blocos localizados nabacia de Santos, as empresas preferem esperar mais estudos paracomemorar o que fez com que um desses blocos fosse batizado de"Caramba". "Não tinha outro nome para dar, quando fizemos o primeirofuro dissemos: Caramba! Felizmente a nossa posição no Brasil ébastante cobiçada, por isso temos que ser bastante cautelosos",disse em um seminário o presidente da Galp Energia do Brasil,Ricardo Peixoto. Ele não quis antecipar o que espera dos quatro blocos que aempresa possui na área pré-sal da bacia de Santos. Além dos 10por cento no campo de Tupi, onde já foram estimadas reservasrecuperáveis de entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo e gásnatural, a empresa está no campo de Júpiter, onde tem 20 porcento; e nos blocos Caramba (BMS21), com 20 por cento; eBem-te-vi (BMS8) com 14 por cento. "Começamos com o pé-direito, mas em 2000, quando entramosno Brasil, a bacia de Santos era 'quixotesca' e muitas 'majors'não quiseram entrar", comemorou Peixoto, informando que desde oanúncio de Tupi as ações da companhia subiram dos 5,60 euros emoutubro de 2006 para 20 euros atualmente. No momento, a empresa aguarda resultados do poço perfuradono bloco de Caramba, que já comprovou a ocorrência de umajazida de petróleo leve mas ainda não foi testado, já que asonda que estava no local foi para o bloco de Bem-te-vi, a fimde garantir a continuidade das operações no local, que tem datalimite este ano para ser notificado à Agência Nacional doPetróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). "Estamos cumprindo nosso programa exploratório, não vamosperder nenhum bloco dessa área", disse Peixoto sem dar detalhesde prazos. "Acreditamos que nossa participação no pré-salbrasileiro, apesar de muitas indefinições, é muito promissora",limitou-se a declarar. A empresa já investiu 170 milhões de dólares no Brasildesde 2000, incluindo a perfuração na área pré-sal, mas não temestimativa de quanto ainda terá que colocar para desenvolver osblocos. "Vamos avaliar os investimentos de acordo com osresultados", explicou, ressaltando que a empresa não teránenhuma dificuldade de acompanhar os altos investimentos naregião, considerada um desafio tecnológico para o Brasil. Desafio que se bem-sucedido poderá colocar o país entre osdez maiores produtores de petróleo e transformá-lo emexportador, aposta o diretor-geral da Partex Oil and GasBrasil, Álvaro Ribeiro. Dona de 10 por cento de um bloco também na área pré-sal, oBMS10, em parceria com a Petrobras (65 por cento) e BG (25 porcento), a Partex considera que o risco exploratório já foiultrapassado e agora o desafio é o risco do desenvolvimetno dosblocos. "Não se sabe como o reservatório vai se comportar...masestamos convencidos que a sísmica já deu muito e pode dar aindamais, vamos furar mais dois poços por lá (BMS10)", informou. Ele disse já ter uma estimativa de produção do bloco, "masque não irei divulgar", assim como estima "investimentos muitoaltos", sem dizer a cifra. Tanto mistério, compartilhado também pelo presidente daGalp, demonstra a cautela com que a indústria do petróleocomeça a lidar com assuntos envolvendo a área pré-sal do país. "Ninguém vai falar nada por um bom tempo, principalmente emrelação a investimentos, ninguém quer ajudar os concorrentes asaberem quanto precisa para investir no pré-sal, o governotirou 41 blocos na última rodada (da ANP) e pode ser que elesvoltem", explicou um executivo presente no evento e que pediupara não ser identificado. (Edição de Marcelo Teixeira)

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