Patrícia de Melo Moreira/AFP
Patrícia de Melo Moreira/AFP

Dono da Azul assina compra da TAP e promete novas rotas no Brasil e nos EUA

Consórcio de David Neeleman adquiriu 61% do capital da aérea portuguesa; novos destinos podem chegar a 20

Fernando Nakagawa, enviado especial, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2015 | 08h51

LISBOA - O governo português assinou nesta quarta-feira, 24, o contrato de venda de 61% do capital da companhia aérea portuguesa TAP para o consórcio Atlantic Gateway. O contrato foi assinado pelo empresário David Neeleman, dono da Azul, e o sócio português Humberto Pedrosa, do grupo de transportes Barraqueiro. Durante a cerimônia, Neeleman prometeu expandir as operações com os Estados Unidos, onde prevê dez novas rotas, e também para o Brasil, onde poderia voar para até dez novas cidades. Neeleman também divulgou o novo plano de negócios da companhia.

"Vamos expandir muito para os Estados Unidos. Nós achamos que temos muitas oportunidades lá e também no Brasil. Podemos ter mais de dez destinos nos EUA e mais oito ou dez no Brasil. Tem mais 20 destinos. Essa vai ser a nossa história de crescimento", disse durante a cerimônia de assinatura do contrato de compra da estatal na sede do Ministério de Finanças no centro de Lisboa.

A expansão das rotas da TAP vai, segundo Neeleman, "fortalecer o hub (centro de distribuição de voos) em Portugal". "Nosso consórcio se chama 'Gateway' que quer dizer porta de entrada. Queremos ser a entrada da Europa", disse ao comentar que o contrato exige a permanência do hub português por 30 anos. "O acordo prevê o compromisso de 30 anos, mas falei: puxa, podemos dar 100 anos. Porque esse é o melhor lugar, o melhor povo e melhor produto", disse.

Durante o discurso, Neeleman fez uma série de elogios aos 12 mil empregados da TAP que deixam de ser funcionários de uma empresa pública e passarão a responder a Neeleman e Pedrosa. Os empregados têm liderado o principal movimento contrário à privatização. "São 12 mil trabalhadores. Vidas dependem dessa empresa. Esse país precisa dessa empresa. Eu só queria dizer para vocês: podem confiar na gente", disse, ao prometer "tratar melhor as pessoas e trazer as melhores aeronaves". "Pode ser a  melhor (aérea) da Europa", resumiu.

Ao iniciar o discurso em português, Neeleman pediu desculpas à plateia pelo carregado sotaque norte-americano. O empresário se declarou "brasicano" por ter nascido no Brasil e criado nos EUA. "Então, tem essa mistura de português e inglês", disse, o que causou risos da plateia.

Missão cumprida. Presidente da TAP há 15 anos, o brasileiro Fernando Pinto disse que a assinatura do contrato de venda da empresa gera "sensação de missão cumprida". Apesar disso, o executivo, que já dirigiu a brasileira Varig, não descarta continuar à frente da empresa se os novos acionistas o convidarem.

"Eu vim para a TAP no ano 2000 já com a empresa no caminho da privatização. Na época, com a Swiss Air. Para mim, pessoalmente, é missão cumprida", disse Fernando Pinto após a cerimônia de assinatura do contrato de venda da empresa para o consórcio formado por Neeleman e Pedrosa.

Pinto foi questionado pelos jornalistas sobre o rumor de que poderia permanecer no cargo mesmo após a troca do controle acionário. "Eu sempre falei que a minha missão acabaria quando fizesse a passagem de testemunho. Obviamente, tem todo um processo de transmissão de tudo o que fizemos. A partir daí, vai depender. Eu quero sair da TAP quando perceber que a empresa está no caminho do crescimento", disse. "A partir daí, depende de me convidarem e em que condições", completou.

O atual presidente da TAP disse que "a grande vantagem agora é ter acesso a capital". "Nós nunca tivemos acesso a capital como teremos agora. Mesmo assim, conseguimos crescer. Agora, isso nos traz muita facilidade", disse.

Fernando Pinto disse ainda que não é apenas o dinheiro que fará diferença na companhia. "Teremos novas ideias, sangue novo e uma visão estratégica muito importante." 

Gol. Rival da Azul no Brasil, a Gol pode continuar como parceira da portuguesa TAP, caso a empresa de David Neeleman no Brasil não consiga atender as necessidades da aérea europeia. Neeleman reconheceu o papel da Gol em alimentar voos da portuguesa que saem do Brasil rumo à Europa, mas ressaltou que os novos sócios darão preferência à Azul, companhia fundada por ele.

"A Gol dá alimentação para a TAP. E, se eles puderem fazer alguma alimentação que a Azul não possa, vamos continuar. Mas claro que daremos preferência para a Azul", afirmou. Desde novembro de 2014, a Gol tem voos compartilhados com a TAP e ainda fez acordo entre os programas de milhagem das duas empresas, o brasileiro Smiles e o português Victoria.

Neeleman ressaltou que, apesar de dar preferência para a Azul, o relacionamento comercial entre as duas empresas "será dentro do padrão da indústria". "Se pagar para a Azul, vai ser balanceado. Não posso dar vantagem para um ou para outro. Temos acionistas diferentes. Tem de ser o que é melhor para a TAP e para a Azul", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.