Dono da Havan combate boatos em campanha de TV

Empresário Luciano Hang decidiu combater pessoalmente rumores que ligam a rede de varejo a políticos

Luciana Dyniewicz, S.A. O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2016 | 05h00

A rede de lojas de departamentos Havan não cansa de entrar em polêmicas. Depois de suas unidades com fachadas que copiam a Casa Branca e das réplicas da Estátua da Liberdade – alvo de um abaixo assinado de moradores de Bauru (SP) que pediam, em 2013, sua remoção por a considerarem de mau gosto –, agora a empresa colocou no ar uma propaganda que pode causar ainda mais controversas do que a fofoca que a inspirou.

A campanha foi criada para responder uma especulação dos consumidores, que, recentemente, começaram a desconfiar de que a empresa era de parentes dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Não se sabe como o boato surgiu, mas foi apenas mais um sobre a propriedade da Havan. “Pelo nosso crescimento, sempre apareceram histórias. Quando começamos, como importadores, diziam que a empresa era de coreanos. Depois, por causa da Estátua da Liberdade, falaram que era de americanos.

Nos últimos anos, passaram a nos associar aos filhos de Lula e à filha de Dilma”, conta o dono da rede, Luciano Hang.

Segundo o empresário, os motoristas dos caminhões de distribuição da empresa vinham sendo xingados, quando paravam em postos de combustíveis, por pessoas contrárias ao PT. A solução encontrada para o problema foi que Hang se apresentasse publicamente na TV como dono da Havan. A ideia foi apresentada ao departamento de marketing pelo próprio Hang. “Fui visitar Londrina (PR), onde temos duas lojas, e o taxista me disse que não comprava na Havan porque ela era do filho do Lula”, diz o empresário, que também é responsável pelo projeto de copiar a fachada da Casa Branca: “Eu adoro os Estados Unidos e o empreendedorismo de lá.”

A campanha foi feita em duas etapas. No primeiro vídeo, transmitido em todo o País, nas cidades em que a empresa atua, clientes foram questionados se sabiam quem era o proprietário da companhia. No segundo, Hang se apresenta e fala das promoções para o Natal.

Estratégia. Para o professor Luiz Fernando Garcia, diretor de graduação da ESPM-SP, a estratégia da Havan é tão perigosa quanto “apagar o fogo com gasolina”. “É um comercial de oportunidade, em que se aproveita algo (o boato) para vender a marca. O problema é que acaba surgindo um risco ao se falar dele (de Hang).”

Garcia se refere à condenação, em primeira instância, de Hang em um processo por lavagem de dinheiro. Mas o processo foi arquivado em segunda instância. “Expondo-se na TV, ele pode se apresentar como um cara legal. Por outro lado, se não fizesse isso, muita gente poderia não lembrar ou nem ficar sabendo do caso (na Justiça).”

O professor, porém, destaca que a Havan é uma empresa que dá respostas rápidas às mudanças econômicas – o que lhe garante resultados financeiros positivos – e consegue se diferenciar – através da estátua e da fachada – entre as varejistas. / L.D.

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