Jefferson Almeida/ Grupo Marfrig
Jefferson Almeida/ Grupo Marfrig

Dono da Marfrig monta chapa para conselho da BRF e escala Sergio Rial

Ex-presidente do Santander Brasil também comandou a Marfrig, na década passada; hoje, empresa de Marcos Molina tem um terço da BRF

Fernanda Guimarães e Sandy Oliveira, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2022 | 15h29

Dona de uma fatia de 33% na BRF, a Marfrig já deixou claro que tem planos de longo prazo para a dona das marcas Sadia e Perdigão. Para começar a dar as cartas na gigante dos alimentos, que enfrentou dificuldades nos últimos anos, o fundador da Marfrig, Marcos Molina, se uniu a um aliado de peso: Sergio Rial, que acabou de deixar a presidência do Santander Brasil e hoje é presidente do conselho do banco espanhol no País. 

E a chapa Molina/Rial carrega uma longa história. Antes do Santander, Sergio Rial foi presidente da empresa de Molina por cerca de um ano. Na época, sua missão foi reestruturar a empresa, que estava altamente endividada e mostrava prejuízos causados por impactos cambiais. Com Rial no barco, o empresário espera resolver problemas semelhantes na BRF.

Em um mês, a companhia de Marcos Molina deverá fincar de vez sua bandeira na empresa – pois a tendência é que sua chapa no conselho seja eleita. O aval dos acionistas da BRF está marcado para 28 de março, quando ocorre a Assembleia-Geral. A história recente da empresa é marcada por brigas dos acionistas. A expectativa do mercado é que não tenha uma chapa concorrente.

Se a chapa for mesmo eleita, será a primeira vez que dois importantes grupos ficarão de fora do colegiado: os fundos de pensão (as caixas de previdência de Petrobras e do BB são sócias do negócio) e a família de Atílio Fontana, que fundou a Sadia.

Acionistas da BRF viram a lista com bons olhos, especialmente pela presença de Rial, mas a inclusão de Molina e de sua mulher – Márcia Marçal dos Santos – joga contra, segundo uma fonte. Um segundo investidor afirma que, na sua visão a presença de Rial chancela a chapa indicada pela Marfrig. “Para mim um dos pontos mais importantes é de que esse conselho parece não ter divisão e sim alinhamento”, frisou. 

Lenta aproximação

O avanço da Marfrig na BRF poderia ter sido ainda mais agressiva e não fosse a oposição da Petros – fundo de pensão da Petrobras –, que possui 5,26% da empresa. Em dezembro do ano passado, quando a BRF anunciou uma oferta de ações bilionária, a porta para a Marfrig aumentar sua posição ficou aberta. 

Em meio à controvérsia com a Petros, porém, a empresa apenas “acompanhou” o aumento de capital, ou seja, comprou ações na oferta apenas o suficiente para não ver sua participação na empresa cair.

Antes do avanço da Marfrig sobre a BRF via Bolsa, as empresas chegaram a anunciar um acordo para juntar suas operações, em 2019. Na época, BRF e Marfrig concordaram em um prazo de 90 dias para uma combinação que criaria uma gigante global com mais de cem fábricas. No entanto, cerca de 40 dias após o anúncio, as empresas anunciaram conjuntamente a desistência do negócio. Molina, contudo, nunca escondeu o interesse de avançar no capital da BRF, que há anos não possui um controlador.

Resposta da BRF

A decisão da Marfrig de exercer seus direitos de acionista para passar a influenciar na administração da BRF é vista com tranquilidade pela companhia, afirmou o presidente global da BRF, Lorival Luz, em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, 23. A chapa é composta por Marcos Molina como candidato a presidente do conselho e Sergio Rial como vice-presidente.

Para Lorival Luz, há um alinhamento de todos os acionistas em relação ao tema, o que pode ser observado na aprovação do follow on da empresa, que movimentou R$ 5,4 bilhões, com aprovação foi de 91% dos acionistas. “Vejo com tranquilidade e como mais uma etapa nessa jornada que a gente tem construído na BRF”, disse Luz. Segundo o executivo, trata-se de um conselho qualificado e que deve contribuir para que a BRF alcance seus objetivos de rentabilidade.

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