GABRIELA BILO/ ESTADÃO
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Donos do laboratório SalomãoZoppi negociam venda de fatia para fundos

Com nove unidades em São Paulo, empresa, avaliada em cerca de R$ 500 milhões, está sendo sondada por fundos estrangeiros como Advent, Warburg Pincus, Carlyle e KKR; sócios querem continuar no controle do negócio

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2015 | 05h00

O laboratório de exames SalomãoZoppi Diagnósticos (SZD), fundado pelos médicos Luís Vitor Salomão e Paulo Sérgio Zoppi no início dos anos 1980, está sendo sondado por fundos de investimentos e por empresas concorrentes. A companhia paulista, de médio porte, afirma estar disposta a vender apenas uma fatia minoritária do seu negócio, mas diz não ter pressa para concluir a operação.

Fontes ouvidas pelo Estado afirmaram que os fundos Advent, Warburg Pincus, Carlyle e KKR e o laboratório mineiro Hermes Pardini olharam o negócio.

“Temos um plano de expansão firme até 2020, que inclui a abertura de novas unidades de atendimento e consolidação no segmento de exames genéticos, que ainda é restrito no Brasil, mas tem potencial para crescer”, disse Mário Pereira, vice-presidente executivo do SZD.

Ex-executivo da farmacêutica Aché e do laboratório Hermes Pardini, Pereira chegou ao grupo no fim de 2011 a convite dos dois acionistas do SZD, que possuem 50% de participação cada um, para agilizar o processo de profissionalização da empresa. A expectativa é que os médicos Salomão e Zoppi, que atuam como copresidentes, passem a fazer parte do conselho de administração da companhia e Pereira assuma o comando.

Segundo ele, a empresa foi assediada por vários fundos interessados em entrar como acionista no negócio, mas os sócios só estão dispostos a negociar entre 20% e 30% de fatia da companhia. O executivo disse, contudo, que não há negociações em andamento no momento. Ele nega que o Hermes Pardini também esteja de olho no negócio. No ano passado, o SalomãoZoppi contratou a empresa americana MTS Health Partners, que está prospectando negócios para o laboratório.

Procurados, Advent, Warburg Pincus, Carlyle, KKR e Hermes Pardini informaram que não comentam rumores de mercado.

As negociações envolvendo o SalomãoZoppi têm pelo menos duas barreiras: o alto preço cobrado pelos acionistas e o fato de o laboratório não querer abrir mão do controle neste primeiro momento, dizem fontes. A empresa é avaliada em cerca de R$ 500 milhões no mercado. “O Warburg Pincus, que já olhou o SalomãoZoppi, está tentando comprar ativos de saúde no País para fazer uma grande consolidação nesse setor. Já o Advent não costuma participar de operação no qual não possa ser o controlador”, disse uma fonte.

Médio porte. Com faturamento de R$ 200 milhões em 2014, o laboratório prevê encerrar este ano com receita bruta de R$ 270 milhões. O Ebtida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia ficou em R$ 30 milhões no ano passado e deve encerrar em R$ 50 milhões este ano. “A expectativa é de atingir faturamento de R$ 800 milhões até 2020”, disse Pereira. Concentrado em São Paulo, o SZD tem atualmente nove unidades laboratoriais na capital paulista. A décima unidade será inaugurada no fim de outubro na Lapa (zona oeste de São Paulo) e a 11ª unidade em março de 2016, em Osasco - a primeira na Grande São Paulo.

“O SalomãoZoppi é considerado o diamante que sobrou no mercado de laboratório de exames. O setor de saúde tem atraído o interesse de grandes investidores e tem muito potencial de consolidação”, disse Victor Falzoni, analista do banco Brasil Plural. 

Desde fevereiro, os acionistas do Fleury (23 médicos e uma administradora), que estão reunidos na Core Participações, colocaram à venda uma parte do negócio. A gestora Tarpon é apontada como uma das favoritas para se tornar sócia do Fleury. No ano passado, o Gávea, que tem 30% de fatia no laboratório Hermes Pardini, tentou costurar a fusão entre os dois laboratórios, mas a operação não deu certo. 

Conhecido na classe médica por sua qualidade e dupla checagem de exames, o SalomãoZoppi busca ativos no segmento de pesquisas genéticas, segundo fontes. A MTS Heatlh está prospectando negócios. A empresa não descarta parcerias internacionais, que preveem transferência de tecnologia para o laboratório nacional.

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