Draghi manda sinal forte de que BCE irá agir

Medidas incluem inclusive agir para reduzir custos de empréstimos governamentais irracionalmente altos

David Milliken e Olesya Dmitracova, da Reuters,

26 de julho de 2012 | 08h59

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, prometeu nesta quinta-feira fazer o que for necessário para proteger a zona do euro de um colapso, incluindo agir para reduzir custos de empréstimos governamentais irracionalmente altos.

"Dentro do nosso mandato, o BCE está pronto para fazer o que for preciso para preservar o euro. E acredite em mim, será suficiente", afirmou Draghi em conferência de investimento em Londres.

"À medida que o tamanho do prêmio soberano (custos de empréstimo) prejudica o funcionamento dos canais de transmissão da política monetária, eles passam a ser de nossa responsabilidade."

Os comentários de Draghi são os mais corajosos até agora e sugerem que o BCE está pronto para combater a crise da dívida a fim de defender a Itália e a Espanha, cujos custos de empréstimo subiram para níveis insustentáveis.

O euro saltou, enquanto os futuros dos títulos alemães, tipicamente favorecidos por investidores avessos ao risco, passaram a cair em resposta aos comentários.

O BCE tem mantido seu programa de compra de títulos inativo por meses, e a oposição interna para reativá-lo é firme, portanto o foco irá se voltar para o que mais o BCE pode fazer.

Economistas acreditam que o banco central pode ser forçado a comprar títulos novamente ou, como alternativa, apoiar países da zona do euro em dificuldade pela porta dos fundos.

Na quarta-feira, a autoridade do BCE Ewald Nowotny rompeu com a posição de seus colegas, dizendo que dar ao fundo de resgate permanente da Europa uma licença bancária para aumentar sua capacidade tem seus méritos. Draghi e outros rejeitaram tal opção previamente.

Como alternativa, o banco poderia agir como o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, e o Banco da Inglaterra, e optar por "quantitative easing" (programa de compra de ativos) direto --impressão de dinheiro com outro nome.

"Os comentários sobre os altos yields de títulos governamentais interrompendo a transmissão de política monetária do BCE são interessantes, ao passo que eles sugerem uma possível tentativa de driblar as restrições sobre compra de ativos completas", disse o estrategista do Monument Securites Marc Ostwald.

O ministro das Finanças da França, Pierre Moscovici, disse que os comentários de Draghi sobre os yields de títulos governamentais são "muito positivos".

Draghi acrescentou que o BCE não quer fazer coisas que devem ser feitas por governos. Ele recusou-se a especular sobre a chance de um país deixar o euro, mas disse que o bloco monetário é "irreversível".

(Reportagem adicional de Marius Zaharia)

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