Dreyfus vê consolidação em commodities; açúcar é o próximo

A volatilidade nos mercados de commodities tende a impulsionar a consolidação no setor agrícola já que as empresas precisam de mais capital e melhor gerenciamento de risco, disse o presidente-executivo da gigante francesa Louis Dreyfus.

INAÊ RIVERAS, REUTERS

28 de outubro de 2009 | 10h23

As empresas do setor também tendem a diversificar seu portfólio em momentos voláteis, como uma maneira de reduzir a dependência de um único produto e limitar o impacto que as flutuações de preços poderiam ter sobre a empresa como um todo, disse Serge Schoen, também presidente do conselho da Dreyfus.

"A volatilidade das commodities dobrou em 20 anos... o que significa que mais risco e mais capital (são necessários) para arcar com isso", disse Schoen em uma entrevista a agências de notícias em São Paulo, após anunciar na terça-feira que o grupo assumiu a empresa de açúcar e etanol brasileira Santelisa Vale.

O acordo faz do grupo francês, já um grande trader global de açúcar, o segundo maior processador de cana-de-açúcar do mundo.

"Em commodities agrícolas, em um dia você pode perder ou ganhar seu lucro do ano", completou ele.

Schoen disse que após a consolidação nos setores de soja e algodão, o setor de açúcar é o próximo a ver uma série de fusões e aquisições em todo o mundo.

"Isso era o que estávamos vendo em 2000 quando começamos a investir em açúcar no Brasil. O açúcar deve eventualmente se consolidar, não há motivo para ser diferente de outras commodities", disse ele.

Schoen disse que a Louis Dreyfus no futuro pode reduzir sua participação na recém-criada empresa, chamada LDC-SEV, dos 60 por cento atuais para 50 por cento, dependendo do interesse dos investidores.

Os investimentos no Brasil, onde estão localizadas dois terços das plantas do grupo, atingiram 2 bilhões de dólares nos últimos três anos, enquanto a receita anual com as operações no Brasil totalizou 4,5 bilhões de dólares.

TERRAS

Um dos focos da companhia agora é o investimento em terras. A empresa criou um fundo de ações privado, chamado Calyx Agro, para investir no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Com um capital inicial de 200 milhões de dólares, a empresa agora planeja levantar uma quantia similar junto a investidores nos próximos 12 meses para ampliar a operação.

Cerca de 75 por cento das terras da companhia estão no Brasil, principalmente em Goiás, Mato Grosso e Bahia.

A empresa afirmou que também está elevando os investimentos em cítricos no Brasil. Ela tem 30 mil hectares de área plantada, sendo dois terços plantados nos últimos três anos.

Isso deve ser o suficiente para a empresa garantir 40 por cento de sua demanda local em três a cinco anos.

A capacidade de processamento de laranja da empresa no Brasil é de 60 milhões de caixas. Cerca de 10 milhões de caixas vêm de sua própria produção e isso deverá ser elevado para 35 milhões de caixas dentro de cinco anos.

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