Duratex e Satipel criam gigante em painéis de madeira

A Duratex, controlada pela Itaúsa, e a Satipel anunciaram nesta segunda-feira a união das companhias, dando origem à maior indústria de painéis de madeira industrializada do hemisfério sul e oitava maior do mundo.

CESAR BIANCONI E ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

22 de junho de 2009 | 18h51

A empresa combinada, que será denominada Duratex e também terá o posto de segunda maior produtora de louças sanitárias do Brasil, nasce com uma receita bruta de 3,271 bilhões de reais, segundo números do final de 2008.

"Entre as vantagens dessa associação está a complementariedade", disse a jornalistas o diretor-geral da Duratex, Henri Penchas, que assumirá a presidência-executiva da nova empresa.

Enquanto a Satipel possui unidades produtivas no Sul do país e em Minas Gerais, a Duratex, dona também da marca Deca, tem fábricas concentradas no Estado de São Paulo, observou Penchas.

A primeira tem a maior parte de sua produção voltada ao MDP e a segunda ao MDF, siglas em inglês que definem tipos de painéis de madeira usados, entre outras coisas, na fabricação de móveis.

Juntas, as empresas têm entre 35 por cento e 40 por cento do mercado nacional de painéis de madeira, mas Penchas não prevê entraves ao negócio no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). "São nove empresas (nesse segmento) no Brasil e não há restrição a importações", disse.

Ele disse que a nova Duratex espera "dezenas de milhões de reais" em sinergias por ano, mas evitou ser preciso sobre as economias de custos esperadas com a fusão.

O acordo prevê a incorporação da Duratex pela Satipel, em uma operação baseada em ações.

Com a conclusão do negócio, os controladores da Duratex terão 39,6 por cento da companhia combinada e os da Satipel ficarão com 17 por cento. A nova empresa será listada no Novo Mercado da Bovespa e terá free float acima de 40 por cento do capital.

Os atuais controladores de ambas as empresas se comprometeram a manter suas ações por um período de cinco anos.

A Satipel vai emitir 348.785.970 ações ordinárias aos acionistas da Duratex. A relação de papéis a serem emitidos será de cerca de 3,05 ações para cada ordinária da Duratex detida pelos controladores e 2,54 ações por cada papel ordinário e preferencial da empresa em poder dos outros acionistas.

Conforme Penchas, a relação de troca foi estabelecida com base na cotação das ações das empresas na Bovespa nos 45 dias úteis até 15 de junho e levou em conta projetos das duas companhias que estão entrando agora em operação, além de ter considerado a baixa liquidez dos papéis da Satipel na bolsa.

As relações de troca poderão ser ajustadas, a depender do resultado das "due diligences" em ambas as empresas.

Considerando os preços de fechamento da última sexta-feira, a proposta embute, no caso das ações preferenciais, um deságio de 25,5 por cento para os acionistas da Duratex. Já para as ações ordinárias da empresa, o negócio representa um prêmio de 3,7 por cento aos controladores e um desconto de 13,6 por cento aos minoritários.

Diante da relação de troca apresentada, as ações ordinárias da Satipel foram as mais beneficiadas, com valorização de 35,36 por cento nesta segunda-feira, encerrando o pregão a 7,58 reais.

As ações preferenciais da Duratex avançaram 7,27 por cento, para 20,51 reais, enquanto as ordinárias dispararam 21,29 por cento, a 20 reais.

As empresas não divulgaram data prevista para a conclusão da operação. A Itaúsa informou que não espera efeitos relevantes em seus resultados por conta da transação.

De acordo com o presidente do Conselho da Satipel, Salo Davi Siebel, que será o chairman da nova Duratex, a expectativa é que o aumento de capital da Satipel para incorporação das ações da Duratex ocorra em "meados de agosto".

As negociações entre as empresas para uma associação começaram entre o final de fevereiro e início de março, e o pontapé inicial partiu da Satipel, disse Siebel.

Segundo o chairman da nova Duratex, a posição de caixa da empresa que está nascendo "é bastante confortável", bem como o nível de alavancagem, com relação dívida/Ebitda abaixo de 2 vezes.

A finalização do negócio depende de aprovação dos acionistas das duas companhias em assembleias e posterior aval dos órgãos de defesa da concorrência.

(Edição de Eduardo Simões)

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