Dúvidas sobre definição do juro recaem sobre comunicado do Copom

Segundo economista do Santander Asset Manager, comitê deve elevar a Selic em  0,25 ponto porcentual, conforme as previsões do mercado 

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

20 de julho de 2011 | 18h02

Diante de uma expectativa consensual em relação a um aumento de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic nesta quarta-feira, 20, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, as dúvidas recaem sobre o comunicado que será divulgado após a decisão. É o que afirma o economista e estrategista do Santander Asset Management, Ricardo Denadai. "As dúvidas recaem sobre o comunicado da decisão, que poderá ou não trazer alguma alteração de linguagem", afirma.

Denadai lembra que, desde a reunião de junho do Copom, os indicadores de atividade econômica sugerem um ritmo de desaceleração bastante moderado. "Os dados mensais disponíveis até o momento relativos à produção industrial, vendas no varejo, mercado de trabalho, entre outros, sugerem crescimento do PIB no segundo trimestre ao redor de 1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, feito o ajuste sazona", prevê Denadai.

Isto, de acordo com Denadai, seria uma leve moderação em relação ao resultado do primeiro trimestre, que registrou crescimento de 1,3%. "Portanto, a variação trimestral média do PIB no primeiro semestre deste ano deverá ser próxima de 1,2%, o que equivale a um crescimento anualizado de 4,7%, ligeiramente acima da nossa estimativa de PIB potencial de 4,5%. Enfim, é um crescimento mais próximo da capacidade, mas não é baixo o suficiente para sugerir que houve algum aumento da ociosidade de modo a permitir um processo de desinflação", avalia.

Denadai considera ainda que a inflação cheia, por sua vez, mostrou desaceleração. O IPCA cedeu de 0,47% em maio para 0,15% em junho. "Mas vale ressaltar que a expectativa consensual para junho era de um desempenho melhor do que o efetivamente observado (a mediana das projeções dos economistas na véspera da divulgação era de 0,07%). Ademais, um olhar mais detalhado sobre o resultado do IPCA de junho é capaz de identificar sinais ainda muito incômodos da inflação de serviços e das medidas de núcleos", afirma o economista.

"Portanto, a desaceleração observada é justificada, em grande medida, pela queda dos preços dos combustíveis e pelo recuos dos preços dos alimentos. Deste modo, as informações recentes não mostram alívio algum da tendência subjacente da inflação, indicando que o desafio de convergência da inflação continua bastante elevado", pondera o economista do Santander Asset.

O cenário externo, acrescenta, é a principal incógnita e talvez a única razão para uma eventual alteração da linguagem no comunicado da decisão. "A intensificação do problema de dívida soberana na Europa, combinado com indicadores econômicos mais fracos nos EUA, torna o cenário internacional cada vez mais incerto. Sem contar as dúvidas e preocupações com relação à aprovação da elevação do teto da dívida norte-americana. Vale lembrar que recentemente as agências de risco colocaram em observação a dívida do governo dos EUA, alertando para um possível, embora pouco provável, rebaixamento", afirma Denadai.

Esta incerteza com relação ao cenário internacional, segundo o economista, tem levado alguns bancos centrais de países emergentes a adotarem um discurso bem mais cauteloso, explicitando um elevado grau de preocupação destas autoridades com relação as consequências potencialmente adversas de um agravamento das situações das economias europeia e norte-americana.

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