É dever do BC atuar de forma pró-ativa para mitigar riscos, diz Tombini

Para o Alexandre Tombini, a autoridade monetária não agiu de forma precipitada ao reverter tendência dos juros e cortar a Selic em 0,50 ponto porcentual em agosto

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

31 de outubro de 2011 | 14h45

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, enviou nesta segunda-feira, 31, uma mensagem aos agentes econômicos que avaliaram que o BC agiu de forma precipitada e com cautela excessiva ao reverter a tendência dos juros no dia 31 de agosto. Naquela data, o Comitê de Política Monetária (Copom) encerrou um ciclo de alta da Selic de 1,75 ponto porcentual desde o início do ano e adotou um corte da taxa de 0,50 ponto porcentual. Em função da decisão, os ex-presidentes do BC Gustavo Loyola e Affonso Celso Pastore chegaram a manifestar que o BC havia abandonado o regime de metas.  

"É dever do Banco Central atuar de forma pró-ativa visando a mitigar potenciais riscos, principalmente quando eles não são perceptíveis ou mesmo não são aceitos pela maioria dos agentes participantes do mercado", afirmou Tombini, em palestra em evento realizado pela Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI) em São Paulo.

"Crises impõem desafios muitas vezes inesperados. Realocam rapidamente portfólios, mudam tendências sem bases claras nos fundamentos. Diversas medidas prudenciais que adotamos ao longo de 2011 são fruto de lições passadas, inclusive as aprendidas na crise de 2008", destacou Tombini.

A inflexão da política monetária pelo BC tenta evitar erros cometidos na crise de 2008, segundo economistas muito influentes junto à presidente Dilma Rousseff e ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em entrevista recente à Agência Estado, o ex-Secretário de Política Econômica, Luiz Gonzaga Belluzzo, disse que o "BC errou" naquele ano, pois o mundo mergulhou em profunda recessão a partir da quebra do banco Lehman Brothers no dia 15 de setembro, mas o Copom só baixou os juros quatro meses depois, no dia 25 de janeiro.

Bancos estrangeiros

Tombini afirmou também que os bancos estrangeiros que operam no País contribuem para o fortalecimento da economia nacional. "Os bancos internacionais têm um papel relevante nesta empreitada. Seja na atração de investimentos, no apoio de empresas brasileiras no exterior e de empresas estrangeiras no Brasil ou mesmo no próprio desenvolvimento do sistema financeiro nacional", destacou.

Ao manifestar-se otimista com a perspectiva de avanço da economia do Brasil nas próximas décadas, com melhores indicadores sociais, Tombini destacou que os bancos internacionais são importantes protagonistas neste cenário promissor do País, inclusive porque o País está em processo de internacionalização de sua economia.

"Vivemos hoje no Brasil um momento ímpar. Reunimos condições de crescer de forma sustentável nas próximas décadas e o governo está plenamente empenhado com políticas públicas para que esse cenário se concretize e se traduza em benefícios efetivos para toda a sociedade", disse Tombini. Ele destacou que a regulação financeira no Brasil não distingue bancos estrangeiros e nacionais.

 

(Texto atualizado às 17h10)

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