É hora do almoço na Vila Olímpia

Desde 2001, região passou a abrigar 741 conjuntos comerciais em 13 novos prédios

Denize Guedes, especial para O Estado de S. Paulo,

27 de outubro de 2010 | 15h22

Zona sul de São Paulo, Vila Olímpia, 12h15. Na esquina das avenidas Juscelino Kubitschek e Chedid Jafet, dia 14, quinta-feira pós-feriado de Nossa Senhora Aparecida, operários que erguem o futuro shopping JK Iguatemi aproveitam a sombra de um par de árvores no canteiro central para tirar a sesta de barriga cheia.

Às 12h35, o fluxo de pessoas a pé em direção à Rua Ramos Batista, pela Juscelino, mais parece entrada do Morumbi em dia de show – não fossem os homens de terno e as mulheres de salto. "É um arrastão", diz o corretor de imóveis Edward Saraiva. São as pessoas dos prédios comerciais que saem para almoçar. Haja comida: apenas a Ramos Batista, em seus cinco quarteirões, soma 21 restaurantes e quatro padarias que servem prato feito.

Às 13h15, Guimarães, corretor que preferiu dar apenas seu ‘nome de guerra’, divulga o empreendimento residencial Indi, que será lançado na Avenida Dr. Cardoso de Melo. Faz isso na calçada da construção do Alpha Tower, edifício comercial que, quando pronto, fará frente ao hotel Caesar Park Business, na Rua Olimpíadas. "Aqui tem opção de trabalho, lazer e moradia", dizia.

Às 13h30, um grupo de 28 europeus em visita à capital paulista, mestrandos em administração da alemã Steinbeis University, de Berlim, desembarca no Shopping Vila Olímpia para... comer, claro. "Daqui, vamos visitar a T-Systems, empresa de tecnologia da informação (ligada à Deutsche Telekom, que fica na Olimpíadas)", contou Moritz Vialon, de 25 anos, sem saber que pisava no Vale do Silício brasileiro – é que o local foi um dos primeiros a contar com fibra ótica, atraindo empresas como Google e Microsoft.

Às 13h55, na Rua Gomes de Carvalho, em direção à Avenida Santo Amaro, o canto dos pássaros começa a se fazer notar no cruzamento com a Nova Cidade – parte mais residencial. Mas, some logo adiante com o som das betoneiras e britadeiras do Affinity, empreendimento com salas comerciais e apartamentos de um quarto que se levanta.

Às 14h15, na Rua Casa do Ator, sentido Olimpíadas, executivos já alimentados rumam à segunda etapa do trabalho sem dar muita bola a dois breves lançamentos. O Move, residencial de dois dormitórios, e um estacionamento, cuja faixa avisa: "Vagas limitadas. Reserve já a sua".

Transformação

A Vila Olímpia era bem diferente outrora. Em seu livro Bairros Paulistanos de A a Z, o jornalista Levino Ponciano escreve: "Parece que faz uma operação plástica por dia, tamanhas as mudanças".

Pausa para visualização: a região nasceu nas primeiras décadas do século 20, formada por pequenas chácaras e terrenos alagados para, lá pelos anos 1950, abrigar indústrias como a dos sabonetes Phebo e, mais recentemente, receber edifícios espelhados com empresas high tech, escritórios de multinacionais, bancos e produtoras.

Segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), entre janeiro de 2001 e agosto deste ano, foram lançados 39 empreendimentos residenciais e 13 comerciais na região – estes últimos num total de 741 conjuntos. "A Vila Olímpia é encostada a bairros nobres como Itaim Bibi e Vila Nova Conceição. É uma ótima localização", diz o diretor da Embraesp, Luiz Paulo Pompéia.

Pois apesar de parecer saturada, ainda há um tantinho de espaço para obras. De acordo com documento da Operação Urbana Faria Lima, disponível no portal da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, há 96.003,59 metros quadrados em análise para construção residencial no bairro.

E se Ponciano criou uma metáfora para as mudanças nessa área que já foi pântano, a Prefeitura criou a Operação Urbana. A verba para o programa vem de contrapartidas pagas à municipalidade em troca de potencial construtivo adicional ao permitido. Assim, o complexo JK Iguatemi – que inclui a Villa Daslu, a torre de 28 andares do Banco Santander e duas outras (em obras) – implicará, entre outras exigências, no alargamento da Chedid Jafet e da pista local da Marginal do Pinheiros.

Pelo visto, outras ‘plásticas’ continuarão a mudar o local...

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