Economia ainda requer política monetária acomodatícia, diz Bernanke

Em discurso à Câmara, presidente do Fed disse que taxa paga aos bancos para manter reservas no Fed pode substituir por ora taxa dos 'Fed Funds'

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

10 de fevereiro de 2010 | 13h41

O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou que a taxa paga aos bancos para manter suas reservas no banco central pode substituir por algum tempo a taxa dos Fed Funds como a principal ferramenta operacional para a política monetária, alertando, porém, que a economia norte-americana ainda requer medidas acomodatícias.

 

Em um discurso preparado para uma audiência com o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes sobre as estratégias para abandonar as políticas de afrouxamento monetário adotadas pelo banco central durante a crise, Bernanke disse que a sequência e as ferramentas que o Fed utilizará para apertar a política monetária dependerão de como a economia vai se comportar daqui para frente.

 

O presidente do Fed também afirmou que a economia ainda precisa de políticas monetárias altamente acomodatícias por enquanto, mas que o banco central "em algum momento" precisará elevar as taxas de juro no curto prazo.

 

Bernanke disse que o Fed pretende aumentar o spread - ou a diferença - entre a taxa de desconto que cobra dos bancos para empréstimos emergenciais e a taxa dos Fed funds.

 

Para combater a crise financeira, o Fed reduziu a meta da taxa dos Fed Funds para uma faixa de zero a 0,25% em dezembro de 2008 e implementou uma série de programas para a concessão de empréstimos e para a compra de ativos, de forma a manter as taxas de juro de longo prazo num patamar baixo.

 

"É possível que o Federal Reserve possa, por algum tempo, utilizar a taxa de juros paga aos bancos pelas reservas, juntamente com metas para o volume dessas reservas, para nortear sua postura política", disse Bernanke, acrescentando, no entanto, que ainda não foi tomada qualquer decisão em relação ao assunto.

 

Atualmente, o Fed paga aos bancos uma taxa de 0,25% pelas reservas depositadas no banco central, que somam mais de US$ 1,1 trilhão.

 

O aumento dos juros sobre as reservas dos bancos incentivaria as instituições financeiras a depositar dinheiro no Fed em vez de emprestar os recursos para empresas ou consumidores. Desta forma, o banco central poderia evitar um eventual superaquecimento da economia e um aumento da inflação.

 

Segundo Bernanke, a medida também deve elevar outras taxas de juro de curto prazo, entre elas a taxa dos Fed Funds, usada como referência para os empréstimos interbancários no overnight e há muito tempo utilizada como principal ferramenta pelo Fed para conduzir a economia.

 

A proposta apresentada por Bernanke já vinha sendo adotada por outras autoridades monetárias, como o Banco Central Europeu (BCE), mas é algo relativamente novo nos EUA. O Congresso deu ao Fed autoridade para implementar a medida em outubro de 2008. As informações são da Dow Jones.

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