Economia caminha para déficit em conta corrente de US$ 45 bi a US$ 48 bi, diz Mantega

Para ministro, resultado deficitário não ameaça o crescimento da economia e é passageiro

Adriana Fernandes e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

27 de julho de 2010 | 14h09

Diante da repercussão negativa das contas externas brasileiras no primeiro semestre, divulgadas na segunda-feira, 26, pelo Banco Central, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, convocou uma entrevista coletiva para afirmar que o déficit na conta corrente, no balanço do Brasil com o exterior, não é uma ameaça para o crescimento da economia e é passageiro. A partir de 2012, avaliou Mantega, deverá ocorrer uma melhora do resultado. "Não tem novidade", disse Mantega. Segundo ele, O déficit já estava previsto e é decorrente do "sucesso do Brasil" em relação a outros países. "É o preço do sucesso", afirmou.

Segundo o ministro o déficit em conta corrente deve fechar o ano de 2010 entre US$ 45 bilhões e US$ 48 bilhões, o equivalente a 2,33% do PIB. Ele previu um superávit da balança comercial de US$ 15 bilhões, em 2010, uma estimativa maior do que a do Banco Central, de US$ 13 bilhões. Mantega atribuiu o déficit ao aumento maior das importações, decorrente de um crescimento mais forte da economia brasileira. Segundo ele essa é a primeira explicação para o resultado. Ele destacou que o aumento da renda faz com que mais brasileiros viagem ao exterior, expandindo o resultado negativo da conta dos serviços com viagens.

O maior lucro das empresas instaladas no Brasil e o cenário desfavorável no exterior, principalmente nos países da Europa, têm levado ao crescimento das remessas de lucro e dividendos. O mesmo cenário estimula o aumento dos investimentos brasileiros no exterior. Na conta de serviços também pesa para o déficit em conta corrente, o aumento dos gastos com transportes, decorrentes do maior volume de importações. "Para não haver déficit o Brasil não poderia crescer 7%, mas apenas 2%", afirmou.

Ação do BC no câmbio

O ministro Mantega afirmou que é favorável a atuação do Banco Central (BC) no mercado futuro de câmbio. "Não apenas com swap reverso, mas com outros instrumentos", disse. "Sou favorável a atuação no mercado futuro, sempre que houver necessidade", afirmou, ao comentar rumor no mercado de que o BC vai atuar no mercado oferecendo contratos de swap reverso.

Questionado quais seriam esses instrumentos, Mantega destacou a limitação para exposição cambial para as instituições financeiras. "São instrumentos clássicos, já usados", disse. Mantega disse que não vê no momento ação forte especulativa no mercado cambial, mas que cabe ao BC acompanhar. Ele evitou, no entanto, afirmar se o BC já deveria atuar no mercado futuro.

(Texto atualizado às 14h27)

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