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Economia chinesa não terá o mesmo dinamismo que já teve, diz representante da FAO

Para Alan Bojanic, economia chinesa deverá manter crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 6% e 7% ao ano até 2020, e de 5% após isso

Renato Oselame e Camila Turtelli , O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 11h34

O representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Alan Bojanic, afirmou nesta quinta-feira que o Brasil tem potencial para se tornar o maior exportador de alimentos do mundo, mas que produtores devem estar atentos a mudanças no cenário global. 

Bojanic disse que é preciso acompanhar a desaceleração econômica na China, principal parceiro comercial do Brasil no setor agropecuário, e que a taxa de câmbio favorece a exportação, mas também pode pesar sobre insumos e equipamentos importados. As declarações foram dadas durante o Summit Agronegócio Brasil 2015, evento realizado pelo Estadão, com patrocínio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).

"O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) preveem que ainda teremos crescimento moderado. A recuperação está devagar e a economia global está com problemas", ressaltou Bojanic, sublinhando implicações para a demanda por commodities. Nesse ponto, o representante da FAO destacou que a China deve manter crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 6% e 7% ao ano até 2020, e de 5% após isso. "Ela não vai manter o mesmo dinamismo que já teve e isso é importante para o Brasil, pois é a maior compradora", observou.

Em contrapartida, ele citou que a expansão econômica na Índia já torna esta nação a que tem maior taxa de avanço do PIB entre os emergentes. Segundo Bojanic, isso pode significar um aumento na classe média global, com maior demanda por alimentos. "Temos que monitorar isso de perto".

A FAO espera que o crescimento da população global se mantenha em 1% ao ano, mas destacou que se mantêm diferenças regionais - com maior avanço em países da África. A entidade espera que a população global supere 9,5 bilhões de pessoas até 2050. Diante disso, a FAO prevê que o setor terá de ampliar significativamente a oferta de alimentos, com o Brasil tendo papel protagonista. "A demanda também será mais qualificada do que a que temos hoje", salientou.

Dólar. Bojanic afirmou que o fortalecimento do dólar ante o real tem duas implicações para produtores brasileiros. "De um lado é bom para os que exportam, mas também importamos muitos dos insumos e do maquinário", disse. Nessa linha, o representante da FAO defendeu que nem sempre a desvalorização do real é positiva para o setor.

"A taxa que temos hoje reflete uma situação de crise e não seria bom que o real continuasse a cair. É importante que a taxa mantenha as exportações competitivas, mas não pressione insumos", alertou.

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