Economia do País reage e cresce 0,4% no segundo trimestre

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro foi de R$ 1,1 trilhão no segundo trimestre, com destaque para o setor agropecuário

Daniela Amorim, Fernanda Nunes e Mariana Durão, da Agência Estado,

31 de agosto de 2012 | 09h02

RIO - A economia do País cresceu a passos curtos no segundo trimestre, mas teve um desempenho um pouco melhor do que no período anterior. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou aumento de 0,4% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre do ano, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua pesquisa de Contas Nacionais Trimestrais.

Em valores correntes, o PIB do segundo trimestre de 2012 somou R$ 1,1 trilhão. Já na comparação com o segundo trimestre de 2011, o PIB apresentou alta de 0,5% no segundo trimestre deste ano, a menor desde o terceiro trimestre de 2009, quando foi registrada queda de 1,5%. 

No primeiro semestre do ano, o PIB avançou 0,6%, na comparação com o mesmo semestre do ano passado, a menor desde o primeiro semestre de 2009, quando teve resultado negativo de 2,6%.

Agropecuária é destaque, mas serviços influenciam mais

O PIB da agropecuária subiu 4,9% no segundo trimestre contra o primeiro trimestre do ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2011, o PIB da agropecuária teve aumento de 1,7% no segundo trimestre de 2012. No primeiro semestre deste ano, o PIB da agropecuária caiu 3% ante o primeiro semestre do ano passado.

Mas, segundo alerta a gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Paliso, a maior influência veio de serviços. Embora o setor agropecuário tenha apresentado o maior crescimento porcentual no segundo trimestre deste ano, o peso desse segmento no valor adicionado total é bem menor do que o da indústria e o do setor de serviços. 

Na composição do PIB, a indústria representa 27% do valor adicionado total, os serviços, 67% e a agropecuária, apenas 5,5%. Especificamente a indústria de transformação tem peso de 14,6% no PIB e responde por 53% da indústria total.

A economista do IBGE ressaltou algumas mudanças no setor agrícola que explicam o resultado da agropecuária na passagem do primeiro para o segundo trimestres deste ano. "Sempre medimos as culturas com safra importante no trimestre. Algumas culturas estão sofrendo com quebra de safra por causa do clima, como a soja. O café terá safra altíssima neste ano e ajudou a puxar o resultado da agropecuária. O café foi o diferencial do resultado do setor na passagem dos trimestres", afirmou Rebeca. 

O PIB de serviços mostrou alta de 0,7% no segundo trimestre contra o primeiro trimestre do ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2011, o PIB de serviços mostrou alta de 1,5% no segundo trimestre de 2012. No primeiro semestre deste ano, o PIB de serviços subiu 1,5% ante o primeiro semestre do ano passado.

Indústria tem maior recuo desde 2009

O PIB da indústria caiu 2,5% no segundo trimestre contra o primeiro trimestre deste ano. Foi o mais intenso recuo desde o primeiro trimestre de 2009, no auge da crise financeira internacional. Na época, o PIB industrial teve queda de 6,5%, também na comparação com o trimestre imediatamente anterior

Segundo divulgado pelo IBGE hoje, na comparação com o segundo trimestre de 2011, o PIB da indústria mostrou queda de 2,4%. No primeiro semestre deste ano, o PIB da indústria caiu 1,2% ante o primeiro semestre do ano passado.

Os investimentos e a indústria influenciaram negativamente o PIB no segundo trimestre deste ano ante o mesmo trimestre do ano anterior. A indústria de transformação caiu 5,3%, a menor taxa desde o terceiro trimestre de 2009 (-9,7%) e a extrativa mineral caiu 1,8%. Em contrapartida, a construção civil subiu 1,5% e a produção e distribuição de eletricidade, gás e água avançou 4,3%. 

Na indústria de transformação, os resultados mais negativos foram registrados nos segmentos de material eletrônico e equipamentos de comunicações, veículos automotores, artigos de vestuário e calçados e produtos farmacêuticos. 

Os principais resultados positivos foram de bebidas, madeira e mobiliário, artigos de perfumaria e outros equipamentos de transportes, informou a gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Exportações e importações

As exportações de bens e serviços recuaram 3,9% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre do ano. O IBGE informou ainda que as vendas externas caíram 2,5% na comparação com o segundo trimestre de 2011. O resultado foi "muito efeito da queda nos preços das commodities, apesar de o câmbio ter se desvalorizado", disse Rebeca Palis, do IBGE.

Segundo o IBGE, as importações contabilizadas no PIB aumentaram 1,9% no segundo trimestre na comparação com o primeiro trimestre do ano. Em relação ao segundo trimestre de 2011, as importações subiram 1,6%.

A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial. No PIB, entram bens e serviços e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram somente bens e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.

Consumo das famílias cresce

O consumo das famílias, segundo o IBGE, registrou alta de 0,6% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre do ano. Já na comparação com o segundo trimestre de 2011, o consumo das famílias aumentou 2,4% no segundo trimestre de 2012. No primeiro semestre, o consumo das famílias subiu 2,5% ante o primeiro semestre do ano passado.

Segundo o IBGE, o consumo do governo, por sua vez, teve alta de 1,1% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre de 2012. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o consumo do governo subiu 3,1%. No primeiro semestre deste ano, o consumo do governo avançou 3,2% ante o primeiro semestre do ano passado.

Investimentos

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 0,7% no segundo trimestre contra o primeiro trimestre do ano, a quarta variação negativa consecutiva. Na comparação com o segundo trimestre de 2011, a FBCF caiu 3,7% no segundo trimestre de 2012, a mais acentuada desde o terceiro trimestre de 2009, quando recuou 9,0%. No primeiro semestre deste ano, a FBCF caiu 2,9% ante o primeiro semestre do ano passado. Em 12 meses, a queda foi de 0,3%.

Segundo o instituto, a taxa de investimento (FBCF/PIB) no segundo trimestre de 2012 foi de 17,9%, inferior à taxa referente a igual período do ano anterior (18,8%). "Essa redução foi influenciada, principalmente, pela queda em volume da formação bruta de capital fixo no trimestre", informou o IBGE, em nota oficial.

A taxa de poupança ficou em 16,9% no segundo trimestre de 2012, contra ante 19,0% no mesmo trimestre de 2011.

1º trimestre revisado 

O IBGE revisou de 0,2% para 0,1% o PIB do primeiro trimestre de 2012 em comparação ao trimestre imediatamente anterior. 

Na mesma base de comparação, foram revisadas as taxas do quarto trimestre de 2011, de 0,2% para 0,1%, do terceiro trimestre do ano passado, de -0,1% para -0,2%; e do segundo trimestre de 2011, de 0,5% para 0,6%.

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